Uma reportagem exibida pelo Fantástico no último domingo revelou uma mudança marcante na configuração familiar brasileira: pela primeira vez, o número de lares chefiados por esposas ultrapassou o de homens. O levantamento, encomendado pela TV Globo e realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base em dados do IBGE, aponta que mais de 41 milhões de domicílios no país têm mulheres como principais provedoras.
A matéria também apresentou relatos que ilustram essa transformação, como o de Carol e João Paulo, casal em que ela é a responsável pelo sustento da casa. Exemplos como esse desafiam estigmas e mostram que relações pautadas na equidade estão se tornando mais comuns na sociedade brasileira.
Esposas que sustentam
De acordo com a pesquisadora Janaína Feijó, 52 em cada 100 lares no Brasil são atualmente chefiados por esposas, sinalizando uma mudança estrutural significativa no papel feminino dentro das famílias. Embora esse dado represente maior autonomia, ele também revela desafios persistentes. A maioria dessas mulheres:
- Se autodeclara preta ou parda;
- Tem ensino médio ou superior incompleto;
- Vive nas grandes metrópoles, especialmente no Sudeste;
- Acumula trabalho, estudos e responsabilidades domésticas.
Entre os fatores que impulsionaram esse cenário estão:
- O avanço da escolarização feminina, que ampliou sua participação econômica e poder de decisão;
- O fortalecimento de programas sociais focados em mulheres;
- A redução na taxa de fecundidade, que permitiu maior dedicação ao trabalho e à qualificação;
- A mudança no perfil familiar: o número de mulheres casadas e sem filhos triplicou em 12 anos, passando de cerca de 2 milhões para mais de 6 milhões.
Essas transformações reforçam o protagonismo feminino, mas exigem atenção às desigualdades que ainda marcam essa trajetória.
Desigualdades persistentes
Apesar dos avanços, persistem desigualdades: mulheres chefes de família enfrentam maiores taxas de desemprego, recebem salários inferiores aos dos homens na mesma função e estão mais expostas à informalidade.
Nesse cenário, Janaína Feijó destaca a urgência de políticas públicas eficazes e adaptadas às realidades locais. Já a historiadora Mary Del Priore defende que a educação da mulher brasileira deve ser prioridade nacional, por seu potencial transformador não só para as famílias, mas para toda a sociedade.





