A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta segunda-feira (09) por meio de nota técnica que o mercado de trabalho da indústria brasileira vive uma crescente falta de profissionais qualificados, problema que se aprofundou desde a pandemia de Covid-19.
A Sondagem Industrial da CNI mostra que essa escassez, que entre 2015 e 2020 ocupava a última posição entre 17 preocupações do setor com apenas 5% das menções, avançou de forma contínua até atingir 23,3% no segundo semestre de 2025.
Falta de trabalhadores
Nos últimos cinco anos, as empresas passaram a apontar como principais obstáculos a elevada carga tributária, os juros altos, a demanda interna insuficiente e, em quarto lugar, a carência de mão de obra capacitada.
A situação se agrava nas pequenas empresas: 28,4% dos empresários dizem ter dificuldades para recrutar profissionais qualificados, colocando esse problema em segundo lugar nas suas prioridades, só atrás da elevada carga tributária.
Mesmo com investimentos em capacitação interna, a CNI alerta que as deficiências da educação básica dificultam a formação adequada.
A rápida evolução tecnológica e organizacional impõe ainda a necessidade de requalificação contínua; o Mapa do Trabalho Industrial aponta que três em cada cinco contratados em 2026 terão de passar por algum tipo de treinamento ao longo do ano para se adequar às novas técnicas.
Impacto na indústria
O quadro também se revela nas preferências profissionais da população. Uma pesquisa realizada em 2025 pelo Instituto Locomotiva para a FIESP e o SENAI-SP aponta que 58% dos entrevistados desejam atuar por conta própria, enquanto apenas 11% manifestaram interesse por carreiras na indústria; na geração anterior esse percentual chegava a 24%.
A escassez de trabalhadores qualificados afeta diretamente as cadeias produtivas e de suprimentos, pressionando os preços e gerando falta de insumos e matérias-primas.
Em 2021 a CNI registrou que pelo menos 70% das empresas enfrentaram dificuldades na produção de itens domésticos, e em 60% desses casos a origem do problema foi a ausência de matérias-primas importadas.






