Derivado do soro do leite, o whey protein se consolidou como um dos insumos mais disputados da indústria alimentícia global.
A expansão do consumo de produtos ricos em proteína tem elevado a demanda a um nível superior à capacidade de produção, o que já provoca falta do ingrediente em diferentes mercados e pressiona os preços para cima.
Com a procura em alta, a cadeia de fornecimento passou a operar sob forte tensão. Em alguns casos, fornecedores já esgotaram o volume disponível para o ano, enquanto fabricantes enfrentam dificuldade para repor estoques e garantir matéria-prima.
Escassez de whey
Apesar da escassez, o problema não está na produção de leite. O principal desafio está na própria cadeia produtiva do whey.
Como a proteína é obtida a partir do soro gerado durante a fabricação de queijo, sua oferta depende diretamente do volume produzido pela indústria queijeira.
Além disso, a transformação desse soro em concentrados e isolados proteicos exige processos industriais complexos e equipamentos especializados, fatores que limitam a expansão rápida da produção.
Diante desse cenário, diversas empresas têm reformulado produtos para reduzir a dependência do whey. Proteínas derivadas do leite, soja, ervilha e outras fontes vegetais estão sendo incorporadas às receitas.
Apesar disso, a substituição apresenta desafios técnicos, uma vez que cada proteína possui propriedades distintas que influenciam sabor, textura e desempenho dos alimentos.
Impactos no preço
A pressão sobre a oferta já se reflete nos preços do mercado internacional. Entre os principais indicadores estão:
- Alta superior a 40% no preço de alguns concentrados de whey nos últimos meses;
- Reajustes entre 30% e mais de 300% relatados por fabricantes desde 2023;
- Cotação do whey protein isolado próxima de 28 mil euros por tonelada na Europa, cerca de cinco vezes acima do registrado há três anos.
Embora os consumidores ainda não tenham percebido plenamente os impactos da escassez, especialistas avaliam que os reajustes deverão chegar gradualmente às prateleiras.
Como o repasse dos custos costuma levar entre 12 e 18 meses, a expectativa é que os preços dos produtos enriquecidos com proteína continuem sob pressão nos próximos anos.






