Uma fábrica de sabão que utiliza restos de animais como matéria-prima tem espalhado mau cheiro por vários trechos da Estrada de Adrianópolis, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
O problema, segundo moradores, não é novo. Eles afirmam conviver há anos com um odor forte que invade casas e comércios, obrigando famílias inteiras a manter portas e janelas fechadas mesmo em dias de calor intenso.
Apesar das reclamações acumuladas, a situação persiste e acumula impactos no cotidiano de quem vive perto do local. A empresa responsável sustenta que adota medidas para reduzir os odores.
Fábrica de sabão com resto de animais deixa mais de um bairro vizinho com mau cheiro
A fábrica pertence ao grupo que administra a Grande Rio Alimentos, conhecido pela produção de sabão em barra. O processo utiliza ossos e sebo bovino, transportados em grandes carretas que chegam ao pátio industrial.
Esse material orgânico, quando manuseado e processado, libera um cheiro forte que se espalha com facilidade.
A presença constante de urubus, atraídos pelos resíduos, reforça a percepção dos moradores de que o problema começa muito antes de a matéria-prima entrar na linha de produção.
Quem mora nos arredores relata que o cheiro se intensifica em dias quentes, quando a ventilação carrega o odor por quarteirões inteiros. Em algumas casas, o desconforto chega ao ponto de provocar náuseas e irritação.
Famílias dizem que passaram a adotar hábitos que nunca imaginaram, como manter cortinas fechadas a maior parte do dia e evitar atividades simples no quintal.
Comércios também se queixam. Lojistas que trabalham de frente para a fábrica afirmam que, em certos horários, preferem permanecer dentro dos estabelecimentos para escapar do ar pesado do lado de fora.
Outro ponto que gera preocupação é a fumaça que sai da chaminé da planta. Moradores contam que, além do cheiro vindo dos resíduos, a fumaça deixa o ar quente e difícil de respirar.
Alguns trabalhadores da unidade, segundo familiares, voltam para casa com sintomas de mal-estar mesmo usando equipamentos de proteção.
Vizinhos da fábrica não receberam resposta de autoridades, e empresa diz que opera dentro das normas
A comunidade diz ter buscado apoio de órgãos públicos, organizado manifestações e reunido assinaturas em documentos enviados às autoridades, mas afirma que ainda não recebeu respostas práticas.
A empresa, por meio de nota enviada ao G1, afirma operar dentro das normas ambientais e diz investir em tecnologias voltadas à neutralização de odores.
A administração sustenta que mantém compromisso com práticas sustentáveis e que está aberta a dialogar com moradores e autoridades locais.
A companhia também afirma que segue disponível para esclarecer dúvidas e receber sugestões enquanto trabalha para minimizar os impactos relatados pela vizinhança.






