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Exercícios físicos não vão te emagrecer para sempre

Por Leticia Florenço
16/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Academia - Reprodução/iStock

Academia - Reprodução/iStock

Durante décadas, a ideia de que bastava “queimar mais do que consumir” dominou o discurso sobre emagrecimento.

A lógica parecia simples: se o corpo gasta uma quantidade fixa de calorias para manter suas funções vitais e você adiciona exercícios à rotina, o resultado seria um aumento proporcional no gasto energético total.

Assim, correr, pedalar ou levantar pesos significaria ampliar continuamente esse déficit e, consequentemente, perder peso de forma progressiva.

O estudo que questiona a matemática tradicional

Uma pesquisa publicada na revista Current Biology, liderada pelos pesquisadores Herman Pontzer e Eric T. Trexler, da Universidade Duke, colocou essa lógica sob análise mais profunda.

Ao avaliar dados de 14 estudos envolvendo 450 pessoas, além de pesquisas com animais e diferentes populações, os cientistas buscaram entender por que o aumento do exercício nem sempre se traduz em maior gasto calórico total ao longo do dia.

Os resultados indicam que o modelo tradicional pode superestimar o impacto da atividade física no emagrecimento.

O conceito de gasto energético restrito

O novo modelo defendido pelos pesquisadores é chamado de “gasto energético restrito”. Ele sugere que o organismo trabalha com um limite diário de energia — como se existisse um teto metabólico.

Quando a pessoa passa a se exercitar mais, o corpo tende a compensar parte desse esforço reduzindo o gasto energético em outras funções internas.

Na prática, isso significa que o corpo não simplesmente soma todas as calorias queimadas no treino ao total do dia. Ele faz ajustes silenciosos para manter o equilíbrio energético dentro de uma faixa considerada segura.

Por que nem toda caloria do treino entra na conta

Segundo a análise dos dados, apenas cerca de 72% das calorias gastas durante o exercício realmente se somam ao gasto energético diário. Os 28% restantes acabam sendo compensados pelo organismo.

Essa compensação pode ocorrer por meio de pequenas reduções no metabolismo basal, alterações hormonais ou diminuição involuntária dos movimentos ao longo do dia.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que muitas pessoas treinam com regularidade e intensidade, mas não observam a perda de peso esperada. O corpo humano evoluiu para preservar energia, não para desperdiçá-la.

Diferenças individuais e respostas variadas

Nem todos os organismos reagem da mesma forma. A taxa de compensação varia significativamente entre indivíduos.

Algumas pessoas apresentam menor adaptação metabólica e conseguem emagrecer com mais facilidade ao incluir exercícios na rotina. Outras enfrentam respostas compensatórias mais intensas, tornando o processo mais lento.

Fatores como genética, idade, composição corporal e histórico alimentar influenciam essa dinâmica, o que reforça que não existe fórmula universal para o emagrecimento.

Exercício

Apesar das conclusões do estudo, os pesquisadores enfatizam que a atividade física continua sendo indispensável para a saúde. O exercício melhora a função cardiovascular, fortalece músculos e ossos, regula o humor, auxilia no controle da glicose e contribui para a longevidade.

O ponto central não é abandonar o treino, mas compreender que ele não atua isoladamente quando o objetivo é perder peso de forma sustentável.

Se parte das calorias queimadas é compensada pelo organismo, a alimentação ganha ainda mais relevância no processo de emagrecimento.

A combinação entre dieta equilibrada, prática regular de exercícios, sono adequado e controle do estresse tende a produzir resultados mais consistentes do que apostar apenas em horas de academia.

O emagrecimento duradouro não depende apenas de aumentar o gasto calórico, mas de construir um padrão de vida que favoreça o equilíbrio energético ao longo do tempo.

Emagrecer para sempre exige estratégia, não apenas esforço

A principal mensagem do estudo é que o corpo humano não funciona como uma calculadora simples. Ele se adapta, regula e protege suas reservas. Exercícios físicos são fundamentais para a saúde e contribuem para o controle do peso, mas não garantem, sozinhos, um emagrecimento permanente.

Entender essa dinâmica ajuda a ajustar expectativas e a buscar estratégias mais completas e sustentáveis. Afinal, mais importante do que queimar calorias é desenvolver um estilo de vida que possa ser mantido a longo prazo.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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