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Europa enfrenta onda de calor em nível de emergência e a ONU diz que o planeta mandou um recado brutal

Por Leticia Florenço
29/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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El Niño

Onda de calor - Reprodução/iStock

A Europa enfrenta uma das ondas de calor mais intensas já registradas para o mês de maio, em um cenário que vem provocando preocupação entre governos, cientistas e organismos internacionais.

Temperaturas típicas do auge do verão chegaram semanas antes do esperado, quebrando recordes históricos e pressionando sistemas de saúde, infraestrutura urbana e até eventos esportivos de escala mundial.

O episódio ganhou repercussão global depois que o tenista italiano Jannik Sinner, líder do ranking mundial, demonstrou sinais claros de exaustão durante sua partida em Roland Garros, disputada sob temperaturas próximas de 33°C em Paris.

Mesmo atribuindo o desempenho ao desgaste físico, as imagens do atleta tentando se refrescar em quadra se tornaram um símbolo do calor sufocante que domina o continente.

ONU faz alerta duro sobre crise climática

O secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell, classificou a situação como um “recado brutal” do planeta.

Segundo ele, a combinação entre emissões elevadas de gases poluentes, uso contínuo de combustíveis fósseis e destruição de florestas está acelerando eventos extremos em várias partes do mundo.

A declaração reforçou o temor de especialistas que vêm alertando há anos sobre a intensificação das ondas de calor. O que antes era considerado impactante passou a ocorrer com frequência crescente, inclusive em períodos tradicionalmente mais amenos da primavera europeia.

Portugal quebra marcas históricas antes do verão

Portugal foi um dos países mais afetados. A cidade de Mora, na região do Alentejo, registrou 40,3°C, estabelecendo um novo recorde para o mês de maio. Meteorologistas portugueses afirmam que esta pode se tornar a onda de calor mais longa e intensa já observada nesta época do ano.

As altas temperaturas provocaram preocupação imediata entre autoridades locais, especialmente devido ao risco de incêndios florestais e sobrecarga nos serviços médicos. Em várias regiões, moradores buscaram praias, parques e centros climatizados para escapar do calor extremo.

França e Itália entram em estado de atenção

Na França, os termômetros também atingiram níveis incomuns para o período. A cidade de Angoulême-La Couronne marcou 37,8°C, estabelecendo outro recorde nacional para maio. O governo francês convocou reuniões emergenciais para discutir medidas de proteção à população.

Em Paris, turistas enfrentaram filas sob calor intenso para visitar pontos turísticos como o Museu do Louvre. Muitos carregavam sombrinhas, garrafas de água e toalhas molhadas para suportar o clima escaldante.

Já na Itália, cidades importantes como Roma, Florença, Bolonha e Turim entraram em alerta vermelho. O Ministério da Saúde italiano classificou a situação como perigosa até mesmo para pessoas saudáveis, destacando os riscos de desidratação, insolação e complicações cardiovasculares.

Capitais europeias enfrentam temperaturas muito acima da média

Diversas capitais registraram temperaturas extremamente superiores ao padrão climático esperado para maio. Londres ficou cerca de 16°C acima da média histórica, enquanto Paris ultrapassou os índices habituais em 14°C.

Berlim, Lisboa e Madri também enfrentaram calor muito acima do normal, reforçando a percepção de que o continente atravessa um evento climático fora dos padrões conhecidos.

Especialistas explicam que o chamado “domo de calor” pode estar contribuindo para o fenômeno. Esse bloqueio atmosférico impede a circulação normal de massas de ar, fazendo com que o calor permaneça preso sobre determinadas regiões por vários dias.

Noites tropicais aumentam risco à saúde

Além das temperaturas elevadas durante o dia, cientistas destacam outro fator preocupante: as chamadas noites tropicais. Nesse cenário, os termômetros permanecem acima de 20°C mesmo durante a madrugada, dificultando o resfriamento das cidades e do próprio corpo humano.

Sem alívio noturno, o organismo sofre desgaste contínuo, aumentando os riscos de problemas respiratórios, cardiovasculares e desidratação severa, especialmente entre idosos e crianças.

Pesquisadores do Instituto Grantham de Mudança Climática afirmam que ondas de calor no início da temporada são particularmente perigosas porque a população ainda não passou pelo processo gradual de adaptação ao verão.

Mortes e acidentes aumentam durante calor extremo

As consequências já começaram a aparecer. No Reino Unido, ao menos nove pessoas morreram em acidentes relacionados à água após a corrida de milhares de pessoas para praias, rios e lagos em busca de refresco.

Na França, as autoridades registraram mortes associadas ao calor ainda nos primeiros dias da onda extrema. Eventos esportivos também passaram a ser analisados com maior cautela depois que duas pessoas morreram durante corridas de rua realizadas sob temperaturas elevadas.

O aumento das emergências médicas levou especialistas a reforçar orientações básicas como hidratação constante, redução de atividades físicas ao ar livre e atenção redobrada com idosos e pessoas vulneráveis.

Cientistas ligam calor recorde às mudanças climáticas

Pesquisadores afirmam que o atual cenário europeu não pode mais ser tratado como um evento isolado. Estudos recentes mostram que as mudanças climáticas estão tornando as ondas de calor mais longas, frequentes e intensas.

Segundo especialistas, temperaturas próximas de 35°C durante a primavera no Reino Unido seriam consideradas extremamente raras décadas atrás. Hoje, esses episódios começam a ocorrer com maior regularidade.

Dados do serviço climático Copernicus apontam que os últimos anos foram os mais quentes já registrados globalmente. O aumento contínuo das temperaturas médias do planeta preocupa cientistas, que observam ainda a possível influência do fenômeno El Niño ao longo de 2026.

A sucessão de recordes, alertas vermelhos e emergências sanitárias reforça o debate sobre a urgência de políticas climáticas mais rígidas. Enquanto isso, milhões de europeus seguem tentando enfrentar temperaturas que chegaram cedo demais e que, segundo os especialistas, podem não ser as últimas deste tipo.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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