Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) integram um artigo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas que investiga os impactos do consumo de alimentos ultraprocessados sobre a saúde da população brasileira e examina a tributação de bebidas açucaradas, tipo o refrigerante, como ferramenta de política pública.
O estudo conta ainda com a colaboração de especialistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reunindo evidências sobre os efeitos sanitários e econômicos relacionados a esse padrão alimentar.
Taxação de refrigerantes
De acordo com o estudo, em 2019 o consumo de alimentos ultraprocessados esteve associado a cerca de 57 mil mortes prematuras no Brasil e a um custo anual estimado em R$ 1,24 bilhão, incluindo aproximadamente R$ 970 milhões em despesas diretas do SUS.
O artigo também analisa a influência de interesses econômicos na formulação de políticas de saúde e destaca a criação do Imposto Seletivo em 2023, no âmbito da reforma tributária, como medida para desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde, como refrigerantes e outras bebidas açucaradas.
Aumento da obesidade
Os pesquisadores destacam a relação consistente entre o avanço da obesidade e o consumo de refrigerantes e alimentos ultraprocessados, marcados pelo elevado teor calórico e pela alta concentração de açúcares, gorduras e sódio.
Dados recentes mostram que mais de 61% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal apresentam excesso de peso, enquanto 24% vivem com obesidade, percentual que pode chegar a cerca de 39% da população adulta até 2030.
O estudo insere o tema em um contexto global, apontando que o crescimento das doenças crônicas não transmissíveis é agravado por desigualdades sociais, insegurança alimentar e mudanças climáticas, e que nenhum país caminha para cumprir as metas internacionais de controle da obesidade até 2030.
Com base em evidências internacionais, o artigo conclui que apenas a adoção de impostos de, no mínimo, 20% do preço final — patamar recomendado pela Organização Mundial da Saúde — é capaz de influenciar o consumo e gerar impactos relevantes na saúde pública e nos gastos governamentais.





