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Estudo revela salário médio de motoristas da Uber

Por Leticia Florenço
20/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Uber - Foto: (Imagem/Google Imagens)

Uber - Foto: (Imagem/Google Imagens)

Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística trouxe novos dados sobre a renda de motoristas que trabalham por aplicativos no país.

As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e revelam um panorama sobre quanto esses profissionais recebem e como funciona a jornada de trabalho nesse setor que cresceu rapidamente nos últimos anos.

Com a expansão de plataformas de mobilidade urbana, como a Uber, milhares de brasileiros passaram a utilizar o transporte por aplicativo como principal fonte de renda.

O estudo mostra que, apesar de o ganho mensal ser ligeiramente maior que o de motoristas tradicionais, a diferença está diretamente ligada à quantidade de horas trabalhadas.

Renda média mensal supera a de motoristas tradicionais

Segundo os dados do IBGE, motoristas que trabalham por aplicativos recebem, em média, cerca de R$ 2.766 por mês. O valor coloca esses profissionais um pouco acima da renda média de motoristas que não atuam em plataformas digitais.

Entre os trabalhadores do transporte que atuam de forma tradicional, o rendimento mensal médio é de aproximadamente R$ 2.425. A diferença, de cerca de R$ 341, pode dar a impressão de que o trabalho em aplicativos oferece ganhos maiores.

No entanto, especialistas destacam que essa vantagem está relacionada principalmente ao tempo maior dedicado ao trabalho.

Jornadas mais longas explicam diferença nos ganhos

A pesquisa também analisou o número de horas trabalhadas semanalmente por esses profissionais. Motoristas de aplicativos trabalham, em média, 45,9 horas por semana, enquanto motoristas tradicionais têm uma jornada média de 40,9 horas semanais.

Essa diferença de quase cinco horas adicionais mostra que muitos motoristas precisam permanecer conectados às plataformas por mais tempo para conseguir corridas e alcançar uma renda mensal considerada suficiente.

Além disso, muitos profissionais acabam trabalhando em horários alternativos, como madrugada e finais de semana, para aumentar as chances de conseguir mais viagens.

Diferença quase desaparece quando o cálculo é por hora

Quando o rendimento é analisado com base no valor recebido por hora trabalhada, a diferença entre motoristas de aplicativo e motoristas tradicionais praticamente desaparece.

De acordo com o levantamento, motoristas de aplicativos recebem cerca de R$ 13,90 por hora, enquanto os profissionais do transporte tradicional ganham aproximadamente R$ 13,70 por hora.

Esse dado reforça que o rendimento mensal maior não está necessariamente ligado a uma remuneração mais alta por serviço, mas sim à quantidade maior de horas trabalhadas ao longo da semana.

Trabalhadores de aplicativos também superam média do setor privado

O estudo também avaliou a renda de todos os trabalhadores que atuam por meio de plataformas digitais, incluindo motoristas e entregadores.

Nesse grupo, o rendimento médio mensal chegou a R$ 2.996, valor cerca de 4,2% superior à média de R$ 2.875 recebida por trabalhadores do setor privado que não utilizam aplicativos.

Mais uma vez, a jornada semanal aparece como um fator determinante. Trabalhadores de aplicativos dedicam, em média, 44,8 horas por semana, enquanto profissionais do setor privado tradicional trabalham cerca de 39,3 horas semanais.

Falta de proteção social ainda preocupa especialistas

Apesar do crescimento da economia de plataformas, especialistas alertam para a falta de proteção social de muitos trabalhadores desse setor.

Uma pesquisa realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento em parceria com a Uber entrevistou quase 13 mil motoristas na América Latina e no Caribe e revelou que apenas cerca de um terço contribui para sistemas de previdência.

Isso significa que muitos desses profissionais não possuem acesso garantido a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença ou seguro de saúde. O cenário levanta debates sobre a necessidade de novas formas de regulamentação que possam oferecer maior segurança financeira para trabalhadores da chamada economia digital.

Com o avanço das plataformas e o aumento do número de motoristas e entregadores, especialistas apontam que o tema deve continuar no centro das discussões sobre o futuro do trabalho no Brasil.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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