Uma pesquisa recente conduzida pela Universidade de Würzburg, na Alemanha, indica que o ciclo menstrual feminino esteve mais alinhado às fases da Lua até aproximadamente 2010, mas que esse sincronismo sofreu um declínio acentuado com o aumento da exposição à luz artificial.
O estudo, divulgado na revista Science Advances, examinou registros menstruais autorrelatados de 176 mulheres ao longo de 24 anos e os comparou a dados históricos de um século, revelando que, antes da disseminação das luzes LED e dos smartphones, o início da menstruação frequentemente coincidia com a Lua cheia ou nova.
Ciclo do smartphones
Os pesquisadores destacam que, apesar da diminuição geral, a sincronização com a Lua ainda pode ser observada em janeiro, período em que a interação gravitacional entre a Lua, o Sol e a Terra atinge seu ponto máximo. A exposição crescente à luz artificial noturna — em especial a luz azul de LEDs e telas de smartphones — parece afetar esse “relógio lunar” interno, pois não apenas ofusca o brilho natural da Lua, como também reduz a duração média do ciclo menstrual.
O estudo também indica que a sincronização só ocorre de forma consistente quando o ciclo menstrual varia entre 27 e 36 dias; fora desse intervalo, o acoplamento com o ritmo lunar torna-se mais difícil. Além disso, conforme a idade avança e os ciclos tendem a encurtar, a ligação com as fases da Lua enfraquece ainda mais.
Resultados sobre a menstruação
Embora os resultados apontem para uma tendência clara, os pesquisadores destacam que se trata de uma correlação, não sendo possível afirmar com certeza que a exposição à luz artificial de smartphones seja a causa direta da diminuição da sincronização com a Lua.
Ainda assim, os achados levantam questões significativas sobre o impacto dos hábitos modernos e da tecnologia nos ritmos biológicos ancestrais, sugerindo possíveis efeitos sobre a reprodução, a fertilidade e até mesmo sobre a eficácia de estratégias contraceptivas.






