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Estudo revela por que não lembramos de quando erámos bebês

Por Leticia Florenço
04/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Bebês - Reprodução/iStock

Bebês - Reprodução/iStock

A infância é uma explosão de descobertas, os primeiros passos, as primeiras palavras, os primeiros vínculos afetivos. No entanto, quase ninguém consegue se lembrar desses momentos.

Esse fenômeno é conhecido como amnésia infantil, um mistério que intriga cientistas há décadas. Um estudo recente publicado na revista Science trouxe novas luzes sobre essa questão.

Memória em construção

Desde os primeiros meses de vida, o cérebro do bebê está em constante transformação. O hipocampo, região essencial para armazenar memórias episódicas, ainda não está completamente desenvolvido nos primeiros anos. Isso ajuda a explicar por que experiências vividas nessa fase parecem evaporar com o tempo.

Pesquisas anteriores com roedores mostraram que os engramas, padrões de células que registram lembranças, se formam mesmo no cérebro infantil, mas acabam ficando inacessíveis.

Curiosamente, em experimentos laboratoriais, esses registros podem ser reativados, indicando que as memórias não desaparecem, apenas ficam bloqueadas.

O desafio de estudar bebês

Investigar a memória em crianças pequenas apresenta desafios únicos. Como registrar a atividade cerebral sem que os bebês se mexam demais? A equipe da Universidade de Yale encontrou soluções criativas: transformou o ambiente da ressonância magnética funcional em algo familiar, com brinquedos, chupetas, cobertores e estímulos visuais coloridos.

Mesmo assim, muitas imagens precisaram ser descartadas devido a movimentos inevitáveis. No estudo, 26 bebês participaram, divididos entre menos de um ano e acima de um ano.

Eles observaram rostos, objetos e cenas, e depois tiveram que diferenciar imagens novas das já vistas, enquanto o tempo de atenção servia como medida de memória.

Hipocampo em ação

Os resultados revelaram diferenças claras entre faixas etárias. Bebês a partir de um ano ativaram o hipocampo ao codificar lembranças, e aqueles com melhor desempenho nas tarefas apresentaram maior atividade nessa região.

Já os menores de um ano não mostraram a mesma ativação, sugerindo que a memória ainda não estava completamente funcional nesse período.

Onde ficam nossas primeiras lembranças?

Se memórias existem desde cedo, por que não conseguimos acessá-las na vida adulta? Uma possibilidade é que essas lembranças nunca se consolidem totalmente. Outra hipótese é que permaneçam registradas, mas inacessíveis.

Pesquisas indicam que as memórias podem durar até cerca de três anos antes de se dissolverem. A grande questão é se esses fragmentos poderiam, de alguma forma, ser recuperados mais tarde na vida.

Amnésia infantil

O estudo reforça uma ideia importante: nossas primeiras experiências podem não estar apagadas para sempre, apenas guardadas em um lugar que a ciência ainda não sabe abrir.

Enquanto os pesquisadores continuam a explorar os mecanismos da memória infantil, a amnésia infantil permanece um dos enigmas mais intrigantes da neurociência, lembrando-nos da complexidade do cérebro humano e do mistério que envolve os primeiros anos da vida.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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