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Estudo revela origem surpreendente dos peixes fluorescentes

Por Leticia Florenço
16/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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A fluorescência nos peixes não é uma novidade do presente, ela remonta a cerca de 112 milhões de anos, segundo um estudo recente conduzido por pesquisadores do Museu Americano de História Natural, em Nova York.

Essa característica intrigante, presente em centenas de espécies, é mais antiga do que se imaginava, e sua origem surpreendente foi revelada em dois artigos científicos publicados nas revistas Nature Communications e Plos One.

O foco está nos teleósteos, o grupo mais diverso de peixes do planeta, que reúne aproximadamente 35 mil espécies.

O que é fluorescência e por que ela importa?

Diferente da bioluminescência (que produz luz a partir de reações químicas), a fluorescência é o fenômeno no qual um organismo absorve luz e a reemite com um comprimento de onda maior e menos energético. Ou seja, o peixe “recolhe” a luz do ambiente e a transforma em cores visíveis, geralmente verde ou vermelha.

Os cientistas observaram esse fenômeno em ao menos 460 espécies, habitando desde profundezas abissais até áreas costeiras, como os recifes de corais. A fluorescência pode desempenhar papéis importantes, como:

  • Camuflagem
  • Comunicação intraespécie
  • Identificação entre espécies
  • Atração de parceiros sexuais
  • Captura de presas

Ainda que os pesquisadores reconheçam que o papel biológico da fluorescência ainda não esteja completamente claro, sua recorrência ao longo da história evolutiva sugere que ela exerce uma função adaptativa.

A evolução da fluorescência

Segundo o estudo da Nature, a fluorescência nos teleósteos evoluiu mais de 100 vezes desde sua origem, o que reforça a ideia de que se trata de uma característica vantajosa. Ela aparece distribuída em 87 famílias e 34 ordens diferentes de peixes, sugerindo múltiplos pontos de origem evolutiva.

Curiosamente, os peixes de recifes de corais lideram em variedade de fluorescência. Entre 479 espécies associadas aos corais, 196 apresentam fluorescência, possivelmente por viverem em ambientes onde a luz solar penetra com maior intensidade, favorecendo a emissão de luz fluorescente.

Um brilho estratégico entre os corais

O professor André Luiz Netto-Ferreira, do Instituto de Biociências da UFRGS, sugere que nos recifes de corais, onde a paisagem é extremamente colorida e saturada, a fluorescência pode ter evoluído como um código visual.

Assim, os peixes conseguiriam se destacar entre os outros e encontrar parceiros de reprodução com maior eficiência.

Segundo ele, os dois estudos funcionam como um marco de referência para futuras pesquisas. Servem como base para cientistas que queiram aprofundar as investigações sobre o papel ecológico e evolutivo dessa curiosa propriedade óptica.

Verdes e vermelhos

As duas cores mais frequentes entre os peixes fluorescentes marinhos são verde e vermelho. A luz verde foi a primeira a surgir, aparecendo entre ancestrais das enguias.

Já a luz vermelha, que surgiu mais tarde entre os Syngnathiformes (grupo que inclui os cavalos-marinhos), acabou se espalhando com maior intensidade ao longo da árvore evolutiva.

Fluorescência por dentro e por fora

Além da diversidade de cores, a fluorescência nos peixes também é variada quanto às regiões do corpo onde ela ocorre. Nadadeiras, bigodes, olhos e escamas podem emitir luz. Essa variabilidade permite a criação de padrões únicos de emissão entre os indivíduos de uma mesma espécie.

De acordo com os pesquisadores, essa diversidade não é aleatória, pode ser parte de um sistema de sinalização altamente elaborado, permitindo comunicação visual em ambientes onde a luz solar já começa a se dissipar.

Limitações e próximos passos

Embora os artigos tenham ampliado consideravelmente o conhecimento sobre a fluorescência em teleósteos, é importante destacar que grupos como os tubarões ficaram de fora da análise.

Algumas espécies de tubarões também apresentam fluorescência, e seu estudo poderá revelar novos padrões e funções biológicas.

As descobertas recentes marcam o início de uma nova fase para a pesquisa em biofluorescência marinha. Com uma base de dados, cientistas agora têm em mãos as ferramentas necessárias para explorar mais a fundo as funções evolutivas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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