O mercado de apostas online no Brasil vem registrando um crescimento expressivo do setor clandestino, que agora supera o segmento regulamentado em movimentação financeira. Dados da empresa americana Yield Sec indicam que, no primeiro semestre de 2025, plataformas de apostas não autorizadas registraram R$ 18,1 bilhões em transações, superando pela primeira vez os R$ 17,4 bilhões do mercado legal no mesmo período.
Entre abril e junho de 2025, 55% do tráfego de usuários foi direcionado a sites ilegais, um aumento relevante se comparado ao início do ano, quando a maioria dos acessos ainda se concentrava em plataformas regulamentadas. O cenário atual mostra mais de 2.300 operadores ilegais ativos no país, em contraste com apenas 167 plataformas oficialmente autorizadas a operar.
Efeitos das apostas clandestinas
A ausência de fiscalização efetiva, somada à indefinição política sobre normas e tributos, tem aberto espaço para o crescimento do mercado de apostas ilegais. Projeções indicam que, caso não haja medidas regulatórias mais rígidas, o setor clandestino poderá corresponder a até 72% do total do mercado até 2026.
Os efeitos desse avanço vão além da arrecadação fiscal. A expansão das operações não autorizadas representa um risco à integridade do esporte, ameaçando a confiabilidade de competições e a estabilidade de patrocínios. Especialistas destacam que a atuação de plataformas ilegais aumenta a vulnerabilidade a fraudes, manipulação de resultados e lavagem de dinheiro, comprometendo não apenas a economia, mas também a credibilidade do setor esportivo.
Combate do governo
Diante desse cenário, órgãos reguladores, como a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), intensificaram ações para frear o crescimento do mercado clandestino. Desde outubro de 2024, mais de 18 mil sites de apostas irregulares foram bloqueados, sendo que 15 mil desses bloqueios ocorreram apenas no primeiro semestre de 2025.
Paralelamente, a SPA registrou que 17,7 milhões de brasileiros apostaram em plataformas e aplicativos das 182 empresas oficialmente autorizadas. Apesar das medidas adotadas, o combate aos sites ilegais permanece como um desafio relevante.






