Desde a década de 1970, pesquisas têm levantado a hipótese de que o talco, um mineral de origem argilosa amplamente utilizado em produtos cosméticos e de higiene, possa apresentar potencial carcinogênico. A literatura científica inclui estudos independentes e investigações financiadas pela própria indústria produtora, como a Johnson & Johnson, que por muitos anos foi uma das principais fabricantes de talco em pó.
Parte desses trabalhos, entretanto, sugere que o risco estaria associado não ao talco em si, mas à presença de amianto —substância reconhecida por sua ação cancerígena— em alguns depósitos naturais do mineral. A empresa afirma que seus produtos não contêm amianto.
Cuidado com o talco
Nas últimas décadas, processos judiciais e indenizações bilionárias intensificaram o debate sobre a segurança do talco, levando a Johnson & Johnson a substituir o ingrediente por amido de milho no início dos anos 2020, prática posteriormente adotada também no Brasil. Apesar da controvérsia científica e legal, o talco segue amplamente utilizado em diversos países.
Uma revisão publicada em 2000 apontou que produtos feitos exclusivamente com amido de milho não apresentam risco associado ao câncer de ovário, embora a possível relação entre o talco tradicional e a doença permaneça sem comprovação definitiva. Alguns estudos identificaram partículas do mineral em tecidos tumorais, mas não estabeleceram vínculo causal.
Em 2024, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), ligada à OMS, classificou o talco como “provavelmente cancerígeno para humanos”, fundamentando-se em evidências limitadas em humanos, suficientes em animais e indícios mecanísticos, mas destacou que a associação direta ainda não é conclusiva.
Riscos do amianto
O amianto tem carcinogenicidade reconhecida, sendo todas as suas formas consideradas cancerígenas pela OMS. Quando presente no talco, sua contaminação — comum devido à proximidade geológica dos minerais — impõe risco elevado.
A detecção é dificultada pela semelhança entre fibras e pela falta de métodos padronizados. A FDA propôs testes padronizados em 2024. A inalação das fibras pode causar inflamação, fibrose e aumentar a chance de câncer e problemas respiratórios.






