O Brasil vive um momento decisivo para reorganizar seu sistema de qualificação profissional diante de mudanças demográficas e estruturais que devem pressionar a economia nas próximas décadas. A projeção aponta que, em 2040, um em cada três brasileiros estará fora da faixa economicamente ativa.
A proporção de inativos deve subir de 45 para cada 100 ativos em 2025 para 58 em 2050 e 75 em 2070, sinalizando o fim do bônus demográfico e maior dependência da força de trabalho futura.
Com o envelhecimento populacional, cresce a demanda por cuidados com crianças e idosos, exigindo maior produtividade das juventudes.
Ao mesmo tempo, a digitalização, a flexibilização das relações de trabalho e a transição para modelos mais sustentáveis elevam a exigência por competências técnicas e socioemocionais.
Estudo sobre brasileiros fora da economia
Nesse contexto foi elaborado o estudo “(Re)qualificação da juventude em um mundo em transformação”, do Itaú Educação e Trabalho e da Fundação Arymax, com elaboração do Instituto Veredas.
Realizado em 2025, ao longo de seis meses, o levantamento analisou 211 documentos e ouviu 40 participantes, entre jovens, gestores, especialistas e representantes do setor produtivo.
A pesquisa integra uma agenda mais ampla sobre tendências do trabalho e juventudes no Brasil, conduzida por organizações como Instituto Cíclica e Instituto Veredas, em parceria com Fundação Roberto Marinho, Fundação Telefônica Vivo e GOYN SP, reunindo evidências qualitativas e quantitativas para embasar recomendações.
Como combater a defasagem
Principais apontamentos do estudo
- A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) deve ocupar papel central na ampliação da inserção produtiva.
- A formação precisa ir além do ensino técnico tradicional, incorporando competências socioemocionais.
- Parte significativa da juventude enfrenta dificuldades na transição entre escola e trabalho.
- Há contingente relevante de jovens fora do sistema educacional e do emprego formal.
Recomendações organizadas em cinco eixos
- Adequar os programas ao perfil do público-alvo.
- Oferecer formação de excelência com foco em empregabilidade.
- Alinhar a qualificação a estratégias de desenvolvimento de médio e longo prazo.
- Integrar formações em trajetórias progressivas, com certificações modulares.
- Fortalecer a governança, com coordenação institucional e monitoramento de resultados.
A conclusão é que, sem ação estratégica e investimento contínuo na qualificação e requalificação das juventudes, o país pode comprometer sua sustentabilidade econômica e social no futuro.





