Pesquisas recentes conduzidas por cientistas da Universidade de Cambridge, em parceria com colegas da China, indicam que o isolamento social e a solidão vão além de afetar o bem-estar emocional, estando também ligados a sérios riscos à saúde física, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, acidente vascular cerebral e aumento da mortalidade ao longo do tempo.
O estudo, publicado na revista Nature Human Behaviour, avaliou amostras de sangue de mais de 42 mil participantes do UK Biobank e identificou perfis proteicos associados a níveis elevados de isolamento e solidão.
Risco da solidão
Marcadores biológicos e riscos associados
- Muitos marcadores estudados participam de processos inflamatórios, respostas imunes e metabolismo.
- Mais da metade desses marcadores foi associada ao desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes tipo 2, derrame e aumento do risco de mortalidade ao longo de 14 anos.
Proteínas de destaque
- ADM: envolvida em respostas ao estresse, associada a alterações cerebrais relacionadas à percepção corporal e emocional, além de maior risco de mortalidade precoce.
- ASGR1: ligada a níveis elevados de colesterol e maior probabilidade de doença cardíaca.
Relação entre isolamento social e saúde física
- As descobertas ajudam a explicar mecanismos biológicos pelos quais as relações sociais influenciam a saúde física.
- Tanto o isolamento quanto a solidão estão associados a maior probabilidade de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Evidências de estudos longitudinais
- Revisões sistemáticas e estudos de coorte indicam que indivíduos socialmente isolados ou frequentemente solitários apresentam maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 comparados a pessoas com maior integração social.
Impacto em condições pré-existentes
- O isolamento social também aumenta o risco de eventos cardiovasculares graves em pessoas com diabetes pré-existente.
- Esses achados reforçam a importância de considerar fatores sociais e emocionais como determinantes de saúde tão relevantes quanto pressão arterial, tabagismo ou sedentarismo.
Organizações de saúde pública, como a Organização Mundial da Saúde, reconhecem a crescente prevalência da solidão e do isolamento social como uma ameaça significativa à saúde global, destacando suas implicações para doenças metabólicas, cardiovasculares e para a mortalidade precoce.






