Uma pesquisa científica recente acendeu um alerta sobre a segurança alimentar no litoral brasileiro. Ostras vendidas em mercados dos estados de São Paulo e Santa Catarina apresentaram altos níveis de contaminação por metais pesados e bactérias resistentes a antibióticos.
O estudo, realizado por instituições como a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Pesca e universidades parceiras no Brasil e no Chile, analisou amostras de frutos do mar disponíveis para consumo imediato — muitas vezes ingeridos crus — e revelou dados preocupantes.
Estudo mostra que ostras estão tomadas por arsênio e superbactérias
Foram examinadas 108 ostras das espécies Crassostrea gigas e Crassostrea brasiliana, coletadas entre o fim de 2022 e o início de 2023.
Em três dos cinco pontos de venda investigados, os pesquisadores encontraram concentrações de arsênio que superam o limite estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é de 1,0 mg/kg.
Em alguns casos, os níveis ultrapassaram 1,9 mg/kg. Além do arsênio, foram detectados outros metais tóxicos, como chumbo, cádmio e cromo, embora o mercúrio não tenha sido identificado em quantidade significativa.
O problema não se restringe à presença de contaminantes químicos. A pesquisa também identificou bactérias multirresistentes, pertencentes ao grupo Enterobacterales, que engloba microrganismos como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae.
Algumas dessas cepas mostraram resistência até mesmo a antibióticos considerados de última linha, como os carbapenêmicos, amplamente utilizados em infecções hospitalares graves.
Pior: testes em laboratório demonstraram que essas bactérias também apresentam alto potencial de virulência.
Consumidores de ostras devem evitar riscos a saúde
A combinação entre metais pesados e bactérias resistentes sugere que o ambiente poluído pode estar favorecendo a seleção de microrganismos mais perigosos para a saúde humana.
O arsênio, em especial, parece contribuir para esse cenário, criando uma espécie de “pressão seletiva” que impulsiona a proliferação de cepas mais agressivas.
Diante desses resultados, os especialistas defendem ações imediatas. Entre elas estão o reforço da fiscalização sanitária, a rastreabilidade dos produtos da aquicultura e o investimento em pesquisas sobre os efeitos da poluição costeira nos alimentos marinhos.
Para os consumidores, a recomendação é redobrar a atenção com a procedência dos frutos do mar e, sempre que possível, evitar o consumo de ostras cruas, especialmente quando a origem do produto não for claramente identificada.






