Divulgada no início de dezembro, a pesquisa “A violência contra educadoras/es como ameaça à educação democrática”, realizada pelo Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es (ONVE) com apoio do Ministério da Educação, traça um panorama preocupante sobre o aumento da hostilidade dirigida a professores em diferentes regiões do país.
O estudo compila informações reunidas desde 2010 e evidencia que práticas de censura, perseguição e intimidação se expandiram de forma contínua, atingindo todas as etapas de ensino e ocorrendo tanto em instituições públicas quanto privadas.
Medo e censura nos professores
- Alcance da censura e perseguição: Nove em cada dez professores sofreram ou testemunharam atos de censura ou perseguição. O aumento coincide com uma década de disputas políticas e morais que chegaram à sala de aula. Episódios se intensificaram em períodos eleitorais.
- Fatores que impulsionaram o problema: Controvérsias envolvendo o kit Escola sem Homofobia. Debates sobre gênero e sexualidade nos planos de educação. Proliferação de projetos Escola sem Partido.
- Formas de censura e intimidação: Questionamentos agressivos e vigilância constante. Proibição de conteúdos e retirada de funções. Casos extremos de agressões verbais e físicas. Temas mais atacados: política, gênero e sexualidade, religião e ciência.
- Impactos emocionais e profissionais: Relatos de tristeza, estresse, ansiedade e depressão. Medo de perder o emprego é recorrente. Alguns professores abandonaram a docência. 83% dos respondentes tiveram algum impacto pessoal.
- Autocensura e efeito inibidor: Professores passaram a evitar temas sensíveis. Mudanças de metodologias, encerramento de projetos e retração da atuação pública. O efeito inibidor compromete o direito de aprender e empobrece o ambiente formativo.
- Agentes envolvidos na pressão: A violência e a vigilância já são reproduzidas dentro das escolas. Pressões exercidas por diretores, coordenadores, docentes, estudantes e familiares.
Medidas indicadas
O quadro apresentado pela pesquisa também acende um sinal de alerta para o possível agravamento do chamado “apagão docente”, uma vez que a combinação entre desvalorização e episódios de violência contribui para o afastamento de profissionais da carreira.
Entre as medidas indicadas, o relatório destaca a necessidade de instituir uma política nacional específica para enfrentar a violência contra educadores — proposta que já vem sendo debatida no âmbito do MEC — e de incluir esses trabalhadores nas iniciativas de proteção destinadas a defensores de direitos humanos. O estudo destaca que, quando a escola se transforma em um espaço de silêncio forçado, perde-se mais que a voz do educador: comprometem-se a democracia e a formação crítica das novas gerações.






