Pesquisadores da Massachusetts College of Liberal Arts e da Universidade Duke, nos Estados Unidos, realizaram um estudo para descobrir qual é o limite máximo de esforço físico que o organismo humano pode sustentar. Os resultados, divulgados na revista Current Biology, indicam a existência de um limite metabólico específico que define até onde o corpo pode ir em atividades de longa duração.
De acordo com os achados, o organismo não consegue ultrapassar o chamado “teto metabólico”, calculado em aproximadamente 2,5 vezes a taxa de metabolismo basal (TMB) — isto é, cerca de duas vezes e meia a quantidade de energia que o corpo utiliza em repouso para manter suas funções vitais.
Máximo de energia que o corpo aguenta gastar
Esse limite corresponde à quantidade máxima de energia que o corpo consegue despender de forma contínua ao longo de extensos períodos de esforço físico, como ocorre em maratonas e ultramaratonas. Para alcançar essa conclusão, os cientistas monitoraram 14 atletas — entre ultramaratonistas, ciclistas e triatletas, homens e mulheres com idades de 30 a 44 anos — durante treinos e competições.
A pesquisa empregou um método de rastreamento baseado em água enriquecida com deutério e oxigênio-18, técnica que possibilita calcular com exatidão o volume de gás carbônico expirado e, assim, estimar o gasto calórico total. Em provas que duraram vários dias, alguns participantes chegaram a queimar até sete vezes sua taxa metabólica basal, o equivalente a um consumo diário entre 7.000 e 8.000 calorias.
Nível do treino
Em atividades de longa duração — variando entre 30 e 52 semanas —, a média observada reduziu-se para aproximadamente 2,4 vezes a taxa metabólica basal, o que demonstra que o organismo não consegue manter um gasto energético tão elevado por muito tempo.
Os pesquisadores constataram que o corpo ativa mecanismos de autorregulação para prevenir danos: diante de esforços extremos, há uma diminuição do metabolismo basal, permitindo economizar energia e preservar tecidos vitais. Essa resposta fisiológica ajuda a compreender por que, após períodos de intensa exigência física, surgem sintomas como fadiga, sonolência e queda no desempenho.






