Desenvolvido pela Vital Strategies Brasil em parceria com o FrameNet Brasil, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e com apoio do Instituto Alana, um estudo analisou a forma como dores menstruais e pélvicas são registradas nos sistemas clínicos da rede pública de saúde.
Para isso, foram analisados dados de mais de 469 mil meninas e mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2016 e 2025, no município de Recife (PE).
O levantamento cruzou informações de diferentes bases do SUS, incluindo o e-SUS, voltado à atenção primária, o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e o Sinan, responsável pelos registros de notificações de violência.
Dores ignoradas das mulheres
Metodologia do estudo
- Uso de inteligência artificial e processamento de linguagem natural.
- Análise de códigos oficiais de diagnóstico e de campos abertos dos prontuários médicos.
- Leitura automatizada de descrições livres registradas por profissionais de saúde.
Principais resultados
- Forte subnotificação de dores menstruais e pélvicas nos sistemas formais de saúde.
- Registros por CIDs representam apenas 0,5% dos casos.
- Com análise por inteligência artificial, índice sobe para cerca de 9%.
- Metodologia identificou aproximadamente 21 vezes mais ocorrências do que os sistemas tradicionais.
Fragilidades nos registros clínicos
- Menos de 5% dos prontuários continham detalhes sobre intensidade, frequência e duração da dor.
- Baixa padronização das informações clínicas.
- Subnotificação contribui para invisibilidade dessas condições no sistema de saúde.
Associação com violência interpessoal
- Mulheres com histórico de dor pélvica apresentaram maior probabilidade de registros relacionados à violência interpessoal.
- Dados sugerem relação entre condições de saúde e contextos de vulnerabilidade social.
- Estudo aponta possíveis falhas na escuta e no registro adequado desses atendimentos.
Como mudar a situação?
Especialistas envolvidos na pesquisa defendem maior qualificação de profissionais de saúde, fortalecimento da escuta clínica e criação de linhas de cuidado voltadas à saúde menstrual.
Para os pesquisadores, a ausência de registros adequados contribui para uma invisibilidade institucional que dificulta a elaboração de políticas públicas mais eficazes.
O estudo integra uma linha de pesquisas que utiliza dados do SUS combinados com inteligência artificial para identificar padrões pouco visíveis nos sistemas tradicionais, incluindo análises sobre violência de gênero e detecção de riscos em saúde pública.





