O setor automotivo no Brasil tem registrado mudanças importantes, com destaque para a expansão da venda direta de veículos, modalidade que ganhou força especialmente entre clientes corporativos.
De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), esse formato representou 51% das vendas totais em 2025.
Paralelamente, um levantamento do International Center for Law & Economics (ICLE) indica que as leis estaduais que exigem que carros zero-quilômetro sejam comercializados apenas por concessionárias franqueadas elevam de forma expressiva o preço final dos veículos.
Carro zero mais caro
Segundo a pesquisa, o modelo de franquias eleva o preço de um carro médio em cerca de R$ 20 mil a R$ 26 mil, considerando um veículo de aproximadamente R$ 260 mil.
Parte desse valor extra decorre da manutenção das estruturas físicas e da folha de pagamento das concessionárias, que chega a R$ 9,9 mil por veículo, além da logística de estoque e juros de financiamento, que podem somar até R$ 14 mil em custos evitáveis.
O sistema de franquias, criado para proteger revendedores independentes de competição desleal das montadoras, acaba transferindo esses custos para o consumidor final.
O ICLE defende que os fabricantes deveriam ter liberdade para vender diretamente ao público, sem a obrigatoriedade de intermediários.
Venda de automóveis no Brasil
No Brasil, a legislação histórica conhecida como Lei Ferrari regula os contratos de distribuição e garante territórios exclusivos para concessionárias, estabelecendo limites de atuação e normas para a venda de veículos novos.
Contudo, existem flexibilizações: concessionárias podem atender clientes de outros territórios mediante solicitação espontânea, mesmo sem autorização do fabricante.
Estudos de órgãos de defesa da concorrência mostram que restrições à liberdade de atuação de fabricantes e concessionárias podem reduzir a competitividade do setor, elevando preços e limitando a oferta ao consumidor.
Essa transformação também se reflete no crescimento das vendas digitais, com plataformas e marketplaces, como a iniciativa da BYD de comercializar veículos diretamente pela OLX.






