O mercado ilegal de cigarros no Brasil tornou-se uma das principais fontes de recursos do crime organizado, movimentando cerca de R$ 10,2 bilhões anuais, equivalentes a aproximadamente 7% da receita total dessas organizações, de acordo com estudo inédito da Fundação Getulio Vargas (FGV), com patrocínio da Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo).
Segundo o levantamento, o comércio clandestino de cigarros vai além do simples contrabando ou da sonegação de impostos, atuando como pilar econômico estratégico para outras atividades criminosas, como tráfico de drogas, roubo de veículos e armas, além de sustentar diversos outros crimes violentos.
Violência do cigarro
Cada aumento de 1 ponto percentual na taxa de ilegalidade do setor está associado a 239 homicídios dolosos, 892 ocorrências de tráfico de drogas, 2.868 roubos de veículos e diversos outros crimes graves por ano, demonstrando a forte correlação entre o mercado paralelo e a criminalidade.
- O fenômeno se sustenta por fatores estruturais, como alta tributação e fragilidades na fiscalização, tanto em fronteiras quanto em centros urbanos.
- 24 pontos percentuais da ilegalidade advêm do contrabando, principalmente do Paraguai.
- 8 pontos percentuais correspondem a fábricas clandestinas e empresas que operam sem recolher tributos, produzindo cigarros falsificados vendidos abaixo do preço mínimo da Receita Federal.
- O mercado é híbrido, combinando importação ilícita e produção interna irregular.
- Opera com logística profissional, rotas bem definidas e transporte rodoviário eficiente.
Comércio ilegal
As facções tratam o comércio ilegal como uma operação empresarial, com hierarquia, divisão de funções e gestão de risco, aumentando sua eficiência e dificultando a ação do Estado. O estudo da FGV, com dados do Sinesp, Receita Federal, Tesouro Nacional, FBSP e Ipec Pack-Swap 2024, aplicou modelos econométricos que mostram correlações consistentes entre a expansão do mercado ilegal e a criminalidade.
De acordo com os pesquisadores, a análise buscou fornecer dados concretos para fundamentar o debate público sobre a conexão entre economia e segurança. O cigarro ilegal é caracterizado como uma “economia criminosa integrada”, capaz de gerar liquidez imediata para organizações criminosas e sustentar outros mercados ilícitos, evidenciando que o problema ultrapassa a esfera do contrabando ou da evasão fiscal.






