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Estudo alerta que adoçante usado em alimentos “zero açúcar” pode trazer riscos graves

Por Leticia Florenço
12/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Adoçante e açúcar - Reprodução

Adoçante e açúcar - Reprodução

Durante muitos anos, os adoçantes foram vistos como grandes aliados de quem buscava uma alimentação mais equilibrada.

A promessa era simples e sedutora: substituir o açúcar tradicional por substâncias capazes de adoçar sem calorias, sem elevar a glicose no sangue e sem sobrecarregar o metabolismo.

Esse discurso impulsionou o consumo de produtos “zero açúcar”, que passaram a ocupar espaço fixo na rotina alimentar de milhões de pessoas.

O que é o eritritol e por que ele se popularizou

Entre os diversos adoçantes disponíveis no mercado, o eritritol ganhou destaque por apresentar características consideradas ideais. Trata-se de um álcool de açúcar encontrado naturalmente em pequenas quantidades em frutas, mas produzido industrialmente para uso em larga escala.

Ele não provoca picos glicêmicos, não estimula a liberação de insulina e costuma causar menos efeitos intestinais quando comparado a outros adoçantes semelhantes. Por isso, foi amplamente aprovado por órgãos reguladores e adotado pela indústria alimentícia, inclusive no Brasil.

Novos estudos colocam a segurança em dúvida

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Nos últimos anos, porém, a visão positiva sobre o eritritol começou a ser questionada. Evidências científicas recentes indicam que ele pode não ser biologicamente neutro, como se acreditava.

Pesquisas vêm apontando uma associação entre níveis elevados da substância no organismo e o aumento do risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral.

Um estudo publicado em 2025 analisou dados genéticos utilizando a técnica de randomização mendeliana, considerada um método robusto para reduzir vieses em pesquisas observacionais.

Os resultados indicaram que pessoas com maior concentração de eritritol no sangue apresentaram risco aumentado de doença arterial coronariana, ataque cardíaco e AVC.

Embora não tenha sido estabelecida uma relação direta com diabetes ou insuficiência cardíaca, os autores destacaram que os achados merecem atenção.

O impacto do eritritol nos vasos sanguíneos

As descobertas mais preocupantes surgiram em estudos laboratoriais. Pesquisadores observaram os efeitos do eritritol em células endoteliais responsáveis por revestir os vasos sanguíneos do cérebro.

Essas células desempenham papel fundamental na regulação do fluxo sanguíneo, da inflamação e da coagulação. Após a exposição ao adoçante, foi registrado um aumento significativo do estresse oxidativo, um processo associado a danos celulares e ao envelhecimento precoce dos tecidos vasculares.

Risco aumentado de formação de coágulos

Outro achado relevante foi a interferência do eritritol nos mecanismos naturais de dissolução de coágulos. Em condições normais, o organismo libera substâncias que ajudam a prevenir a obstrução dos vasos.

Nas células expostas ao adoçante, essa resposta foi reduzida de forma significativa, sugerindo uma menor capacidade de evitar tromboses, fator diretamente ligado ao risco de infarto e AVC.

Dados populacionais reforçam o alerta

Estudos com milhares de participantes também encontraram resultados semelhantes. Pessoas com níveis elevados de eritritol no sangue apresentaram maior incidência de eventos cardiovasculares ao longo do acompanhamento, mesmo após ajustes para idade, sexo e fatores de risco tradicionais.

Em experimentos controlados, voluntários que consumiram eritritol mostraram aumento da reatividade das plaquetas, um passo inicial na formação de coágulos.

Especialistas ressaltam que os resultados não significam que o consumo ocasional de produtos com eritritol vá causar problemas graves em pessoas saudáveis.

O principal alerta recai sobre o consumo frequente e em grandes quantidades, especialmente por indivíduos com histórico de doenças cardiovasculares, hipertensão ou outros fatores de risco.

A importância de rever o consumo de adoçantes

A substituição do açúcar pode trazer benefícios, mas não está isenta de riscos. A popularização dos produtos “zero açúcar” levou muitas pessoas a consumir adoçantes diariamente, sem considerar possíveis efeitos a longo prazo.

Diante das novas evidências, pesquisadores defendem mais estudos e uma avaliação mais cuidadosa do papel dessas substâncias na alimentação cotidiana.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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