O estrategista e ex-oficial de inteligência russo Andrey Bezrukov afirmou em maio, durante o 13º Fórum Jurídico Internacional de São Petersburgo, que o mundo está entrando em uma “era turbulenta de sobrevivência”, na qual apenas Rússia, Brasil e Estados Unidos dispõem dos recursos necessários para se manterem autossuficientes.
Segundo ele, esses países poderiam estar cercados por um muro e ainda assim teriam tudo o que precisam para sobreviver, ao contrário das demais nações.
A nova política brasileira para minerais críticos
Enquanto essa análise acontece, o governo Lula trabalha em uma nova política nacional para minerais estratégicos, a chamada Mineração para Energia Limpa (MEL).
A iniciativa, desenvolvida pelo Ministério de Minas e Energia, visa diversificar a cadeia produtiva, ampliar o mapeamento geológico e fortalecer a participação de pequenas e médias empresas no setor.
O foco está em matérias-primas essenciais para a transição energética global, como lítio, grafita, terras-raras, cobre e nióbio, que também são fundamentais para os setores aeroespacial, eletrônico e militar.
Em discurso recente em Minas Gerais, o presidente Lula enviou uma mensagem clara aos Estados Unidos, reforçando a proteção do petróleo, do ouro e dos minerais brasileiros.
“Este país é do povo brasileiro”, afirmou, ressaltando que a única exigência feita ao governo americano é respeito ao povo brasileiro, assim como o Brasil respeita o povo americano.
O futuro da soberania energética, tecnológica e alimentar
Bezrukov destaca que a verdadeira força dos países no futuro dependerá da soberania em áreas como energia, tecnologia e alimentos.
Ele enfatiza que o mundo está em processo de fragmentação dos mercados, crises econômicas estruturais e uma corrida por uma nova ordem global baseada em alianças regionais. Nesse cenário, será necessária uma combinação de forças armadas robustas, aliados confiáveis e ideias para a construção do futuro.
Transformar recursos naturais em ativos estratégicos
Para o estrategista russo, a capacidade do Brasil não se limita à abundância de recursos naturais, mas está na habilidade de transformá-los em ativos estratégicos de alto valor.
Isso implica investimentos coordenados em infraestrutura crítica, soberania financeira e parcerias tecnológicas regionais. Ele alerta que é fundamental ter um projeto claro para o país, pois “se não soubermos para onde vamos, ninguém nos seguirá”.
O Brasil tem tudo para ser mais do que um sobrevivente nesse novo mundo em reconfiguração, pode ser um dos líderes da construção do futuro.






