O envelhecimento é comumente associado à perda de memória, lapsos cotidianos e diminuição das habilidades cognitivas. Mas nem todos seguem esse caminho.
Pesquisas recentes apontam para um grupo raro de pessoas acima dos 80 anos que mantém capacidades de memória comparáveis às de indivíduos com 50 anos. Esses indivíduos foram batizados de SuperAgers.
O termo foi cunhado pelo neurologista Dr. M. Marsel Mesulam, da Northwestern University, nos Estados Unidos. Para ser considerado um SuperAger, é preciso apresentar desempenho elevado em testes de memória.
Por exemplo, lembrar ao menos nove palavras em um teste de quinze itens é um feito extraordinário para alguém na oitava década de vida.
O que diferencia o cérebro dos SuperAgers
Estudos conduzidos pela Northwestern ao longo de 25 anos investigaram cerca de 300 SuperAgers. Parte deles doou o cérebro à ciência após a morte, e 77 foram analisados detalhadamente. Entre os achados mais importantes:
- Alguns cérebros não apresentavam acúmulo de proteínas beta-amilóide e tau, associadas ao Alzheimer.
- Outros apresentavam essas proteínas, mas mantinham funcionalidade normal, indicando resistência a danos.
- O córtex cerebral, área ligada à memória e cognição, estava mais preservado do que se esperaria para a idade.
- O córtex cingulado anterior, envolvido em emoções, motivação e tomada de decisão, era mais espesso que o normal.
- Maior presença de neurônios von Economo, associados à empatia e comportamento social.
- Neurônios entorrinais maiores, essenciais para a memória, estavam mais robustos.
Esses achados apontam para dois mecanismos que podem explicar a longevidade cognitiva:
- Resistência: O cérebro praticamente não acumula proteínas tóxicas.
- Resiliência: Mesmo com presença de proteínas prejudiciais, o cérebro mantém suas funções.
O papel do estilo de vida
Além das características biológicas, o estilo de vida desses idosos parece fundamental. Estudos mostram que os SuperAgers:
- São socialmente ativos, mantendo círculos de amizade e laços familiares fortes.
- Participam de atividades intelectualmente estimulantes, como leitura, jogos de raciocínio e aprendizado contínuo.
- Mantêm rotinas físicas regulares, promovendo circulação cerebral e bem-estar geral.
Especialistas afirmam que esses hábitos podem fortalecer a mente ao longo do tempo, contribuindo para a preservação cognitiva e reduzindo o risco de declínio mental.
A descoberta dos SuperAgers abre caminho para novas estratégias de prevenção de Alzheimer e outras demências. Entender como o cérebro pode resistir ou se adaptar a proteínas prejudiciais pode guiar tratamentos, intervenções e até políticas de saúde pública focadas no envelhecimento saudável.






