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Está na faixa dos 60? Veja o que fazer para não perder massa muscular

Por Leticia Florenço
03/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Massa muscular - Reprodução/iStock

Massa muscular - Reprodução/iStock

Envelhecer traz consigo uma série de mudanças fisiológicas, e uma das mais significativas é a perda de massa muscular, processo conhecido como sarcopenia. Embora silenciosa no início, essa condição impacta profundamente a autonomia, o equilíbrio e até a autoestima de quem entra na terceira idade.

Estudos apontam que cerca de 13% dos adultos com mais de 60 anos já apresentam sinais de sarcopenia, número que pode chegar a 50% entre os maiores de 80 anos. A perda muscular começa a partir dos 30 anos e avança com o tempo, especialmente se não houver estímulos adequados para manter a força.

A importância do exercício de resistência na terceira idade

Se há uma medida prática, acessível e cientificamente comprovada para combater a perda muscular, ela atende por um nome: treinamento de resistência.

Os chamados treinos resistidos, que envolvem movimentos contra alguma forma de carga, seja peso corporal, halteres, faixas elásticas ou máquinas, são capazes de interromper o ciclo de desgaste muscular e devolver força aos músculos já enfraquecidos.

A prática regular, ao menos duas vezes por semana, pode melhorar a capacidade de extensão dos joelhos, o equilíbrio, a postura e a coordenação motora, fatores cruciais para manter a autonomia na rotina.

Subir escadas, carregar sacolas, levantar-se da cama ou de uma cadeira, tudo isso depende, em grande parte, de músculos treinados.

Por que a nutrição é tão importante quanto o exercício físico

De nada adianta treinar se o corpo não tiver o combustível adequado para se regenerar. E esse combustível é a proteína. A partir dos 60 anos, a ingestão proteica torna-se ainda mais vital, já que o organismo passa a ter mais dificuldade em sintetizar esse nutriente.

Por isso, especialistas recomendam o consumo diário de 0,8 a 1,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal, podendo aumentar essa quantidade para idosos mais frágeis.

Alimentos como ovos, leite, carnes magras, leguminosas e derivados da soja devem compor as principais refeições do dia. A distribuição adequada da proteína entre café da manhã, almoço e jantar potencializa a absorção e favorece a manutenção muscular.

Suplementos podem ajudar, mas não fazem milagre sozinhos

Em alguns casos, principalmente entre os idosos com dificuldades alimentares, baixa ingestão calórica ou problemas de absorção, os suplementos entram como aliados. Whey protein, proteína vegetal e colágeno hidrolisado com vitamina C são algumas das opções mais utilizadas, sempre sob orientação profissional.

No entanto, é importante frisar: suplementos não substituem refeições completas, nem funcionam sozinhos. Um estudo recente publicado na revista Nutrients reforça que a combinação de suplementação e treino de resistência é mais eficaz do que qualquer uma das estratégias isoladamente.

Sem o estímulo físico, os benefícios da proteína suplementada são mínimos.

Três hábitos simples que fazem toda a diferença depois dos 60

O primeiro hábito é manter-se em movimento todos os dias. Mesmo em dias sem treino formal, atividades como caminhar, dançar, fazer tarefas domésticas ou alongar-se já estimulam os músculos e o sistema cardiovascular.

O segundo hábito envolve um planejamento alimentar consciente, com foco na ingestão de proteínas e redução de ultraprocessados.

E o terceiro hábito é priorizar a constância: é melhor fazer pouco com frequência do que muito de vez em quando. A disciplina é mais poderosa do que a intensidade quando o objetivo é preservar os músculos e a saúde a longo prazo.

Manter a massa muscular é mais do que uma questão estética, é um fator determinante para a qualidade de vida. Idosos com maior força muscular caminham melhor, se machucam menos, sofrem menos quedas, têm melhor desempenho cognitivo e até apresentam taxas menores de depressão.

Envelhecer com saúde é, antes de tudo, preservar a capacidade de fazer as próprias escolhas, realizar tarefas simples sem ajuda e continuar ativo no convívio social e familiar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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