O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) lançou, em 13 de outubro, a campanha “Flora Exótica Tóxica para Fauna – Espatódea”, com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos da árvore Spathodea campanulata, conhecida como espatódea, bisnagueira ou tulipeira-do-gabão.
A ação busca reforçar a legislação estadual e proteger a fauna local, especialmente as abelhas nativas, fundamentais para a polinização e o equilíbrio ecológico.
A lei que proíbe a espatódea
A Lei Estadual nº 17.694/2019, sancionada em janeiro de 2019, estabelece a proibição da produção, plantio e manutenção da espécie em todo o estado. O descumprimento da legislação pode gerar multa de R$ 1.000 por árvore, além de outras sanções ambientais.
Segundo o IMA, a medida visa não apenas punir, mas educar a população sobre a importância do manejo consciente das espécies.
Perigos escondidos sob a beleza da árvore
Originária da África Ocidental, a espatódea possui flores grandes e alaranjadas, de grande apelo ornamental. No entanto, suas flores contêm toxinas letais para abelhas nativas e também para a Apis mellifera, espécie exótica usada na produção de mel.
As substâncias tóxicas estão presentes no pólen, néctar e mucilagem das flores, causando a morte dos polinizadores e prejudicando diretamente o equilíbrio dos ecossistemas.
Para reduzir os impactos ambientais, o IMA recomenda o plantio de árvores nativas regionais, adaptadas ao clima e solo catarinense, como ipês, aroeiras, canafístulas, ingás, corticeiras e carobas. Essas espécies são seguras para a fauna e contribuem para a manutenção da polinização e da diversidade ecológica.
Ações já implementadas nos municípios
Diversas cidades catarinenses já estão promovendo a substituição da espatódea. Em Jaraguá do Sul, a Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama) está mapeando locais com a árvore e notificando moradores para a remoção em até 60 dias, conforme a Lei Municipal nº 9.398/2023.
Para especialistas, a retirada é essencial, pois os polinizadores locais não estão adaptados às flores da espatódea, diferentemente dos insetos africanos.
Responsabilidade coletiva
O IMA destaca que o manejo da espatódea é uma responsabilidade compartilhada entre prefeituras, viveiristas e cidadãos. O descumprimento da lei não representa apenas uma infração legal, mas também um risco ambiental, comprometendo a sobrevivência de polinizadores vitais e a integridade dos ecossistemas.
Segundo Elaine Zuchiwschi, engenheira agrônoma e coordenadora do Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras do IMA, a campanha é fundamental para ensinar a sociedade sobre o manejo consciente da flora e fauna, reduzir impactos negativos e promover a proteção das espécies nativas.
A proibição da espatódea em Santa Catarina reforça a importância de decisões legais e ambientais alinhadas. Além da multa de R$ 1.000 por árvore, a medida protege polinizadores essenciais e garante a manutenção do equilíbrio ecológico, incentivando a substituição por espécies nativas e sustentáveis.





