Avaliada em mais de R$ 500 bilhões, a Forest City nasceu com a promessa de ser uma das cidades mais inovadoras do mundo.
Localizada no sul da Malásia, próxima a Johor Bahru, o projeto foi idealizado para unir luxo, sustentabilidade e tecnologia. No papel, parecia um modelo perfeito de urbanização moderna. Na prática, se transformou em um espaço quase vazio.
A construção começou em 2016, liderada pela incorporadora chinesa Country Garden, durante um período de forte expansão econômica da China.
A proposta era erguer uma cidade futurista em ilhas artificiais, com capacidade para mais de um milhão de habitantes, oferecendo infraestrutura completa com áreas de lazer, comércio e moradia de alto padrão.
Preços que afastaram a realidade
Apesar da grandiosidade, os valores dos imóveis rapidamente se tornaram um obstáculo. Enquanto propriedades em Johor Bahru tinham preços acessíveis à população local, os apartamentos em Forest City custavam valores muito superiores, voltados principalmente para investidores estrangeiros.
Construída sobre ilhas artificiais, a cidade acabou enfrentando dificuldades de acesso e integração com centros urbanos. A distância e a falta de vida ao redor tornaram o local pouco atrativo para moradia permanente. O que deveria ser exclusividade virou isolamento.
O silêncio de uma cidade vazia
Com o passar dos anos, a ausência de moradores transformou a paisagem. Prédios modernos permanecem vazios, comércios fechados e ruas sem movimento. A ocupação extremamente baixa fez com que o local ganhasse fama de “cidade fantasma de luxo”, onde há estrutura, mas falta o principal: pessoas.
A situação se agravou com a crise do mercado imobiliário chinês. Sob medidas do governo liderado por Xi Jinping, houve restrições à especulação imobiliária e à saída de capital do país. Isso impactou diretamente empresas como a Country Garden, que passou a enfrentar dificuldades financeiras.
Decisões políticas e seus impactos
Na própria Malásia, mudanças políticas também afetaram o projeto. O ex-primeiro-ministro Mahathir Mohamad criticou a proposta e impôs restrições à entrada de estrangeiros interessados em comprar imóveis. Isso afastou o principal público-alvo da cidade.
A pandemia da Covid-19 dificultou ainda mais a ocupação do local. Restrições de viagem, incertezas econômicas e limitações financeiras reduziram drasticamente o interesse internacional, aprofundando o esvaziamento da cidade.
Um futuro cheio de incertezas
Mesmo com parte da obra ainda inacabada, os responsáveis pelo projeto mantêm expectativas de recuperação. No entanto, a baixa ocupação e os desafios econômicos levantam dúvidas sobre a viabilidade do empreendimento a longo prazo.
A história de Forest City se junta a outros casos como Kitsault, mostrando que grandes investimentos não garantem sucesso.





