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Esqueça o Brás: maioria das suas roupas vêm dessas 3 cidades em Pernambuco

Por Leticia Florenço
29/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Máquina de costura - Reprodução/Unsplash

Máquina de costura - Reprodução/Unsplash

Quando se fala em moda popular, muitos pensam imediatamente no Brás ou no Bom Retiro, em São Paulo. Mas há um triângulo produtivo no interior de Pernambuco que tem se destacado nacionalmente, Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe.

Conhecido como o “Polo de Confecções do Agreste”, esse agrupamento regional é hoje o maior produtor de roupas do Nordeste e um dos maiores do país. Juntas, as três cidades fabricam milhões de peças por mês e abastecem feiras, lojistas e camelôs em todos os estados brasileiros.

Caruaru

Caruaru é famosa por seu São João e por sua rica cultura popular, mas também se consolidou como um centro têxtil pulsante. A Feira da Sulanca é uma das maiores do Brasil, atraindo semanalmente milhares de compradores vindos de todos os cantos do país.

Pequenas confecções familiares convivem com empresas mais estruturadas, e é esse ecossistema diverso que mantém o dinamismo da cidade. São 1.113 empresas de confecção formalizadas apenas entre Caruaru e Santa Cruz, sendo que muitas outras operam na informalidade.

Toritama

Com pouco mais de 40 mil habitantes, Toritama é responsável por cerca de 20% da produção de jeans do Brasil. Isso mesmo: uma pequena cidade pernambucana compete com gigantes do setor, apostando em mão de obra local, eficiência e um ciclo de produção enxuto.

A cidade vive praticamente em função da indústria: costureiras, modelistas, lavadores, vendedores e motoristas fazem parte de uma engrenagem que gira todos os dias, com energia de sobra. Conhecida como “a cidade que não dorme”, Toritama é o coração do jeans nacional.

Santa Cruz do Capibaribe

Santa Cruz, como é carinhosamente chamada, é o lar de grandes marcas populares do Norte e Nordeste, como a Rotadomar. A cidade tem vocação para a moda rápida (fast fashion), com ciclos de produção e reposição que chegam a durar apenas sete dias. A agilidade impressiona.

Com forte presença digital, empresas locais apostam em marketplaces, redes sociais e parcerias com influenciadores para expandir suas marcas. Ainda assim, a dependência de feiras e atacadistas ainda é predominante na dinâmica econômica.

As feiras que movimentam o setor

A Feira da Sulanca (Caruaru), a Feira do Jeans (Toritama) e a Moda Center (Santa Cruz) são centros comerciais que transformaram o Agreste pernambucano em um destino atacadista nacional.

Esses locais reúnem centenas de boxes, com milhares de comerciantes disputando cada cliente com preços competitivos e variedade de produtos. Vendedores de todo o Brasil chegam em excursões, vans ou ônibus fretados para encher suas sacolas e levar moda popular de qualidade para seus estados.

Barreiras para a internacionalização

Apesar do tamanho e da força econômica, o setor enfrenta dificuldades para exportar suas peças. A coordenadora do Centro Internacional de Negócios da Fiepe, Sthefany Miyeko Nishikawa, aponta a carga tributária como um dos principais obstáculos.

A comparação com países asiáticos é inevitável: enquanto na China ou Vietnã é possível produzir com custos baixíssimos, no Brasil os encargos dificultam a competitividade. Mesmo vizinhos latino-americanos, como a Colômbia, têm ganhado espaço com incentivos fiscais mais atrativos.

Feiras internacionais, rodadas de negócios e missões empresariais vêm sendo promovidas com apoio da Fiepe e de instituições como o Sebrae e o Governo do Estado. A ideia é ampliar o alcance das marcas locais, criando novas parcerias e oportunidades além das fronteiras brasileiras.

Produtos como jeans, moda fitness e moda praia já começaram a chegar à América Latina e à África, com exportações em crescimento, ainda que reduzido.

Hoje, essas cidades são sinônimo de resistência, criatividade e empreendedorismo. A moda, aqui, não é apenas consumo, é uma forma de viver e resistir.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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