Recentemente, a notícia de que Vick Hope, esposa do DJ Calvin Harris, ingeriu a própria placenta após o parto viralizou e reacendeu um debate antigo, porém pouco compreendido: a placentofagia humana.
O gesto, que já tem adeptas famosas pelo mundo, levanta dúvidas sobre seus efeitos reais e coloca em xeque o equilíbrio entre tradições culturais e evidências médicas.
Raízes naturais
Entre mamíferos, comer a placenta é um comportamento natural que ajuda a mãe a eliminar vestígios que podem atrair predadores e, ao mesmo tempo, repor nutrientes perdidos na gestação.
Essa prática, que parece instintiva nos animais, tem sido cada vez mais adotada por mães humanas, que buscam replicar seus supostos benefícios, mesmo sem respaldo científico consistente.
Expectativas vs. realidade
Muitas mulheres afirmam que consumir a placenta traz energia extra, reduz o risco de depressão pós-parto e melhora a produção de leite materno.
Contudo, pesquisas rigorosas, como as realizadas pela Universidade de Northwestern, mostram que esses benefícios são mais mitos do que fatos. A ciência ainda não comprovou que a placentofagia previna doenças ou ajude na recuperação física após o parto.
Embora a placenta seja rica em ferro e hormônios, ela também pode conter bactérias, vírus e toxinas que oferecem risco para a saúde da mãe e do bebê.
A falta de protocolos sanitários para o preparo e armazenamento aumenta a chance de contaminação, o que já resultou em casos graves, incluindo infecções neonatais e alertas de órgãos internacionais como o CDC.
Prevenção
No Brasil, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) não recomenda a prática da placentofagia, principalmente devido à dificuldade em garantir biossegurança no ambiente doméstico.
Para os especialistas, os potenciais perigos superam os benefícios não comprovados, tornando o consumo da placenta uma escolha arriscada.
Celebrando o parto com simbolismo e segurança
Para mães que desejam valorizar o momento do nascimento e estabelecer um vínculo simbólico com o bebê, existem alternativas criativas e seguras, como a confecção de pinturas com a placenta ou rituais artísticos que respeitam a importância do evento sem oferecer riscos à saúde.
Entender os limites entre crença, tradição e evidência é fundamental para garantir que mães e bebês recebam o melhor cuidado possível no delicado período pós-parto.





