Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade União das Américas (UNIAMÉRICA), no Paraná, pelas pesquisadoras Sonia Bordin e Polyana Niehues, analisou os impactos do uso de gorduras, como a banha de porco e o óleo de soja, em indicadores ligados à saúde cardiovascular.
A investigação teve duração aproximada de 45 dias e contou com a participação de voluntários submetidos a um protocolo alimentar controlado.
Durante todo o período, as refeições foram preparadas utilizando apenas uma única fonte de gordura, o que permitiu aos pesquisadores observar de forma comparativa os efeitos de cada ingrediente nos marcadores avaliados.
Qual é a gordura certa?
Ao final do acompanhamento, os resultados apontaram que os voluntários que consumiram preparações feitas com óleo de soja registraram queda expressiva nos níveis de HDL, conhecido como colesterol “bom”, além de mudanças negativas em outros parâmetros do perfil lipídico, associados ao aumento do risco cardiovascular.
Já entre os participantes cujas refeições foram elaboradas com banha de porco, os indicadores analisados permaneceram mais estáveis ao longo do experimento.
Segundo os pesquisadores, esse desempenho está relacionado à maior estabilidade da banha de porco quando submetida ao calor.
Por apresentar um perfil lipídico com maior proporção de gorduras saturadas e monoinsaturadas, essa gordura resiste melhor às altas temperaturas, reduzindo a formação de compostos oxidativos indesejáveis durante o preparo dos alimentos, diferentemente de óleos vegetais ricos em gorduras poli-insaturadas, como o óleo de soja.
Não é regra!
Embora o estudo tenha identificado diferenças significativas entre as duas fontes de gordura no curto prazo, nutricionistas ouvidos em análises sobre a pesquisa ressaltam que os resultados não permitem extrapolações sobre impactos de longo prazo, tampouco justificam o uso excessivo da banha de porco.
Os especialistas destacam que nenhum ingrediente isolado deve ser interpretado como determinante absoluto da saúde.
De acordo com essa avaliação, fatores como o padrão alimentar como um todo, a quantidade total de gordura consumida e os hábitos de vida exercem influência mais decisiva sobre a saúde cardiovascular do que a escolha de uma gordura específica para o preparo dos alimentos.
Nesse sentido, o estudo reforça a necessidade de equilíbrio e diversidade na dieta, afastando a ideia de que exista uma opção única e universalmente ideal para todas as preparações culinárias.





