A possibilidade de encerramento da escala 6×1 ganhou força após declarações do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que afirmou ser plenamente viável aprovar a mudança ainda em 2026, mesmo em um ano eleitoral.
Segundo ele, a atual jornada impõe sacrifícios excessivos aos trabalhadores e já não corresponde às transformações sociais e econômicas do país.
Para o ministro, o modelo de seis dias trabalhados para apenas um de descanso é “cruel”, principalmente para as mulheres, que muitas vezes acumulam responsabilidades profissionais e domésticas.
A rotina intensa compromete o descanso, a convivência familiar e a saúde mental, tornando-se incompatível com a busca por qualidade de vida e equilíbrio social.
Economia pode se adaptar ao fim da escala 6×1
Luiz Marinho rejeita o argumento de que o fim da escala 6×1 prejudicaria a economia. Na avaliação do governo, é possível reorganizar turnos, ampliar contratações e melhorar a produtividade sem comprometer o funcionamento das atividades econômicas.
O ministro afirma que o país tem condições de avançar nesse debate sem gerar impactos negativos estruturais.
Pressão popular como fator decisivo no Congresso
Apesar da confiança, Marinho destaca que a aprovação depende de mobilização nacional dos trabalhadores. Para ele, somente com pressão social será possível garantir que o Congresso Nacional coloque o tema em votação antes das eleições.
O ministro vê a participação ativa da sociedade como elemento central para acelerar o processo legislativo.
Propostas avançam no Senado e na Câmara
No Senado, a Comissão de Constituição e Justiça já aprovou um texto que limita a jornada a oito horas diárias e 36 horas semanais, distribuídas em até cinco dias. A proposta agora aguarda análise do plenário.
Na Câmara dos Deputados, a PEC nº 8 de 2025 sugere uma jornada ainda menor, com 36 horas semanais em quatro dias, e segue em debate em uma subcomissão especial.
Embora reconheça o mérito das propostas mais ousadas, o ministro defende cautela. Ele avalia que uma mudança direta de 44 para 36 horas semanais pode não ser sustentável no curto prazo.
Por isso, considera mais realista iniciar o processo com a redução para 40 horas semanais, eliminando a escala 6×1 de forma progressiva.
Negociação coletiva ganha papel central
Marinho ressalta que cada setor da economia possui características próprias. Assim, a adaptação à nova jornada deve ocorrer por meio de acordos coletivos entre empresas e sindicatos, garantindo flexibilidade sem perda de direitos, especialmente em áreas que exigem funcionamento contínuo.
O debate sobre a escala 6×1 surge como uma das pautas mais sensíveis do ano eleitoral. Enquanto alguns parlamentares defendem cautela para evitar uso político do tema, outros veem a discussão como resposta a uma demanda social antiga.
A jornada de trabalho passa a ocupar espaço central nas agendas do Executivo e do Legislativo.
Ministro afasta ambições eleitorais
Durante a entrevista, Luiz Marinho também negou qualquer intenção de deixar o ministério para disputar eleições. Licenciado do mandato de deputado federal, ele afirmou que seu foco permanece na condução das políticas trabalhistas e na construção de consensos para modernizar a legislação.
Caso o fim da escala 6×1 seja aprovado, o Brasil pode viver uma transformação profunda na organização do trabalho.





