Mais Tendências - Tribuna de Minas
  • Cidade
  • Contato
  • Região
  • Política
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura
  • Empregos
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados

Entenda por que sobra energia no Brasil, mas falta quando o calor aumenta

Por Leticia Florenço
27/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
0
sem energia

Queda de energia - Foto: (Imagem/Reprodução)

O sistema elétrico brasileiro atravessa um momento curioso e preocupante ao mesmo tempo.

Mesmo sendo um dos países que mais produzem energia limpa no mundo, especialmente a partir de fontes renováveis como solar e eólica, o Brasil enfrenta riscos crescentes de apagões justamente nos períodos em que o consumo aumenta por causa do calor intenso.

O calor como gatilho para o aumento do consumo

Ondas de calor cada vez mais frequentes elevam de forma significativa o consumo de energia elétrica. Com temperaturas acima da média, famílias e empresas recorrem de maneira mais intensa a aparelhos de ar-condicionado, ventiladores, refrigeradores e freezers.

Esse aumento não acontece de forma homogênea ao longo do dia. Ele se concentra principalmente no fim da tarde e à noite, quando as pessoas retornam para casa, cozinham, tomam banho, ligam televisores e mantêm sistemas de refrigeração ligados por mais tempo.

É exatamente nesse período que o sistema elétrico passa a operar sob maior estresse, pois a demanda cresce rapidamente enquanto parte da oferta começa a desaparecer.

Quando a energia sobra, mas não pode ser usada

Durante o dia, especialmente entre o meio da manhã e o meio da tarde, o Brasil frequentemente produz mais energia do que consegue consumir. A geração solar atinge seu pico com o sol forte, enquanto parques eólicos também se beneficiam de condições climáticas favoráveis em várias regiões do país.

Nesse intervalo, a demanda ainda é relativamente moderada, já que indústrias, comércios e residências não estão utilizando toda a sua capacidade elétrica.

O problema é que essa energia excedente não pode simplesmente ser armazenada em grande escala. O país ainda possui pouca infraestrutura de baterias ou outros sistemas capazes de guardar eletricidade para uso posterior.

Com isso, o excesso se transforma em um risco para a estabilidade da rede.

O papel do ONS e os cortes forçados de geração

Para evitar sobrecargas que possam causar apagões, o Operador Nacional do Sistema Elétrico precisa intervir e determinar cortes na produção de energia. Essa prática, conhecida como curtailment, consiste em mandar reduzir ou interromper temporariamente a geração de algumas usinas, principalmente solares e eólicas.

Esses cortes são mais comuns durante o dia e se intensificam em fins de semana e feriados, quando o consumo da indústria e do comércio diminui.

Embora sejam uma medida de segurança, eles geram perdas financeiras expressivas para os empreendimentos afetados, que muitas vezes precisam comprar energia no mercado para cumprir contratos já firmados.

A queda da geração renovável no início da noite

À medida que o sol se põe, a geração solar cai de forma abrupta. Ao mesmo tempo, os ventos também podem perder intensidade, reduzindo a produção eólica. O consumo, por outro lado, segue em alta justamente nesse horário, impulsionado pelo uso doméstico.

Essa transição rápida cria um desafio operacional enorme. O sistema precisa acionar fontes de energia que possam responder de forma imediata, como hidrelétricas e termelétricas.

Quando os reservatórios estão baixos ou o governo opta por poupar água por causa de chuvas abaixo da média, o uso de termelétricas se intensifica, elevando custos e pressionando a tarifa de energia.

Reservatórios sob pressão e impacto nas tarifas

Os níveis dos reservatórios das hidrelétricas têm se mantido abaixo do ideal em diversas regiões do país. Mesmo com períodos de chuva, as projeções indicam volumes inferiores à média histórica, o que obriga o planejamento a ser mais conservador.

Para garantir energia nos horários de pico, o sistema acaba recorrendo a fontes mais caras.

Esse cenário tende a impactar diretamente o bolso do consumidor, já que o acionamento de termelétricas eleva o custo da geração e aumenta o risco de bandeiras tarifárias mais caras nas contas de luz.

A geração distribuída e os novos desafios do sistema

A popularização das placas solares em telhados de casas, prédios e pequenos negócios mudou profundamente a dinâmica do setor elétrico. Essa geração distribuída reduz o consumo individual da rede e ajuda famílias a economizarem na conta de luz, mas cria um desafio coletivo.

A energia gerada nesses sistemas entra diretamente na rede das distribuidoras e não pode ser controlada pelo ONS. Durante o dia, ela contribui para o excesso de oferta. No início da noite, essa geração desaparece rapidamente, exigindo que o sistema reaja em poucos minutos para suprir a demanda que surge de forma abrupta.

O risco de uma crise estrutural

Especialistas e relatórios oficiais apontam que o sistema elétrico brasileiro pode enfrentar uma crise mais grave nos próximos anos se nenhuma correção de rota for feita.

O crescimento acelerado das fontes renováveis, sem investimentos proporcionais em transmissão, armazenamento e flexibilidade, transformou um avanço ambiental em um problema operacional.

O risco não é apenas de apagões, mas também de desequilíbrio financeiro no setor, com prejuízos bilionários, queda de investimentos e disputas sobre quem deve arcar com os custos dos ajustes necessários.

Caminhos para equilibrar oferta e demanda

A solução para esse paradoxo passa por uma combinação de medidas estruturais. Investimentos em linhas de transmissão mais robustas podem ajudar a distribuir melhor a energia produzida.

A adoção de grandes sistemas de baterias permitiria armazenar o excesso gerado durante o dia para uso à noite. Além disso, políticas que incentivem o consumo intensivo de energia próximo às fontes renováveis podem reduzir desperdícios.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

Próximo post
extensões chrome

Usuários do Google Chrome precisam ficar atentos a vírus que rouba todos dados

Confira!

Cachorro - Reprodução/iStock

A psicologia explica por que quem conversa com o pet como se fosse gente tem características acima da média

05/06/2026
Imposto de Renda Receita Federal

Mesmo com problemas na pré-preenchida, declaração pode virar automática em 3 anos

05/06/2026
Esponja - Reprodução/Unsplash/fcafotodigital

Estudo comprova que a esponja de louça libera microplásticos na água a cada vez que é usada

05/06/2026

Copyright Tribuna de Minas. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a autorização escrita da Tribuna de Minas

Contato

Bem-vindo de volta!

Faça login abaixo

Esqueceu a senha?

Recupere sua senha

Insira seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Log In

Adicionar nova Playlist

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Contato

Tribuna de Minas