Os radares de velocidade média que começam a aparecer em rodovias brasileiras podem mudar de forma profunda a fiscalização de trânsito no país.
A tecnologia, que já opera há anos em outras partes do mundo, está passando por testes em diferentes trechos e chama atenção por ampliar o alcance do controle de velocidade.
Se for aprovada, a experiência de condução nas estradas vai exigir mais regularidade do motorista, e não apenas redução de velocidade perto de um ponto de fiscalização.
Entenda como serão os radares de velocidade média que estão em teste
O princípio é simples, embora o método seja novo para a maior parte dos condutores brasileiros.
Em vez de registrar a velocidade instantânea em um único ponto, como fazem os radares tradicionais, o sistema acompanha o tempo de deslocamento do veículo entre duas câmeras instaladas em locais distintos da via.
Cada passagem é registrada com horário exato, e um software calcula a média a partir da distância percorrida. Se a velocidade média resultar acima do limite da rodovia, a infração é caracterizada.
A novidade afeta diretamente motoristas que costumam reduzir a velocidade apenas ao se aproximar de um radar. Como o cálculo passa a considerar todo o trecho monitorado, estratégias de frear e acelerar deixam de funcionar.
Nos testes em curso, como o realizado na BR 040, entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, já foi possível observar que muitos veículos mantêm velocidade além do permitido ao longo do percurso, o que reforça o interesse das autoridades em ampliar esse tipo de fiscalização.
Novos radares pretendem melhorar segurança
O objetivo central é melhorar a segurança viária. Velocidades irregulares aumentam o risco de colisões, e a expectativa é que a vigilância por trechos incentive uma condução constante e previsível.
A mudança, porém, exige um passo importante: ainda não há regulamentação específica no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para a medição de velocidade média.
Hoje, a lei se refere ao limite do “local”, o que, segundo especialistas, não abrange a análise de toda a extensão monitorada. Também falta ao Inmetro definir os requisitos técnicos que permitirão homologar oficialmente os equipamentos.
Apesar dos desafios, o debate avança porque o potencial de impacto é grande. Com a possibilidade de fiscalizar longos segmentos, o sistema ampliaria o controle sobre excessos de velocidade que passam despercebidos pelos radares convencionais.
Se adotados de forma definitiva, os novos equipamentos podem marcar uma virada no modelo de fiscalização e contribuir para reduzir acidentes em estradas brasileiras.





