A discussão sobre o custo dos imóveis voltou a ganhar força após um país vizinho do Brasil adotar uma medida considerada para estimular o setor com a suspensão temporária de impostos na compra de propriedades.
A iniciativa surge em um momento de desaceleração do mercado imobiliário e alto estoque de unidades sem compradores, criando um contraste direto com a realidade brasileira, onde a carga tributária segue elevada e impacta o preço final das moradias.
A estratégia de reduzir impostos para baixar preços
A proposta anunciada pelo governo chileno consiste na suspensão do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) na compra de imóveis residenciais por um período de 12 meses.
A medida busca reduzir o custo final das propriedades, tornando-as mais acessíveis, especialmente para a classe média, que muitas vezes encontra dificuldades para obter aprovação em financiamentos devido ao alto valor total da aquisição.
Especialistas apontam que a retirada do imposto pode gerar uma queda nos preços, tornando possível que mais famílias consigam sair do aluguel e conquistar a casa própria. Além disso, a redução de custos pode destravar negociações que estavam paradas, estimulando o fechamento de novos contratos.
Estoque pressiona o mercado
Um dos principais motivos para a adoção dessa política é o alto número de imóveis novos disponíveis sem compradores.
Estima-se que existam cerca de 105 mil unidades nessa situação, um volume considerado recorde no país. Esse excesso de oferta acaba pressionando construtoras e incorporadoras, que enfrentam dificuldades para manter o ritmo de vendas.
Com a suspensão do imposto, a expectativa é acelerar a absorção desse estoque, permitindo que o mercado volte a girar com mais intensidade. A medida também pode evitar uma desaceleração mais profunda do setor, que tem forte impacto na economia como um todo.
Impacto direto no acesso ao crédito
A redução no preço dos imóveis pode fazer diferença decisiva no momento da análise de crédito. Muitas famílias ficam próximas do limite exigido pelos bancos, e qualquer diminuição no valor final pode ser suficiente para garantir a aprovação do financiamento.
Nesse sentido, a medida não apenas reduz custos, mas amplia o acesso ao sistema financeiro. Isso cria um efeito em cadeia: mais compradores aprovados, mais vendas realizadas e maior movimentação econômica no setor imobiliário.
Benefício temporário e efeitos limitados
Apesar do potencial positivo, a política tem prazo definido e deve durar apenas um ano. Esse fator pode gerar uma corrida por compras no curto prazo, concentrando a demanda em um período específico.
Além disso, há dúvidas sobre o quanto da redução tributária será efetivamente repassado ao consumidor final, já que fatores como margem de lucro e custos operacionais também influenciam os preços.
Outro ponto importante é que imóveis de interesse social já não sofrem incidência desse imposto, o que limita o alcance da medida entre as camadas de menor renda.
Construção civil como motor econômico
O setor da construção civil é um dos principais pilares da economia, devido à sua capacidade de gerar empregos rapidamente e movimentar diversas cadeias produtivas.
Ao estimular a venda de imóveis, o governo também busca incentivar novos projetos, aquecer investimentos e aumentar a circulação de dinheiro no país.
Esse efeito multiplicador é um dos principais argumentos a favor da redução de impostos como ferramenta de política econômica, especialmente em momentos de desaceleração.
Dois modelos, caminhos diferentes
A comparação entre os dois países evidencia estratégias diante de um mesmo desafio. Tornar a moradia mais acessível e reaquecer o mercado imobiliário. De um lado, uma política de redução temporária de impostos para estimular a demanda; do outro, um modelo mais rígido, com foco na manutenção da arrecadação.
Os próximos meses serão decisivos para avaliar os resultados dessa iniciativa e entender se a redução tributária pode, de fato, ser um caminho eficaz para equilibrar crescimento econômico e acesso à habitação.






