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Enquanto o Brasil tem valores altos, país vizinho corta imposto de imóveis

Por Leticia Florenço
19/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Imóvel Financiado - Foto: (Imagem/Unsplash)

Imóvel Financiado - Foto: (Imagem/Unsplash)

A discussão sobre o custo dos imóveis voltou a ganhar força após um país vizinho do Brasil adotar uma medida considerada para estimular o setor com a suspensão temporária de impostos na compra de propriedades.

A iniciativa surge em um momento de desaceleração do mercado imobiliário e alto estoque de unidades sem compradores, criando um contraste direto com a realidade brasileira, onde a carga tributária segue elevada e impacta o preço final das moradias.

A estratégia de reduzir impostos para baixar preços

A proposta anunciada pelo governo chileno consiste na suspensão do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) na compra de imóveis residenciais por um período de 12 meses.

A medida busca reduzir o custo final das propriedades, tornando-as mais acessíveis, especialmente para a classe média, que muitas vezes encontra dificuldades para obter aprovação em financiamentos devido ao alto valor total da aquisição.

Especialistas apontam que a retirada do imposto pode gerar uma queda nos preços, tornando possível que mais famílias consigam sair do aluguel e conquistar a casa própria. Além disso, a redução de custos pode destravar negociações que estavam paradas, estimulando o fechamento de novos contratos.

Estoque pressiona o mercado

Um dos principais motivos para a adoção dessa política é o alto número de imóveis novos disponíveis sem compradores.

Estima-se que existam cerca de 105 mil unidades nessa situação, um volume considerado recorde no país. Esse excesso de oferta acaba pressionando construtoras e incorporadoras, que enfrentam dificuldades para manter o ritmo de vendas.

Com a suspensão do imposto, a expectativa é acelerar a absorção desse estoque, permitindo que o mercado volte a girar com mais intensidade. A medida também pode evitar uma desaceleração mais profunda do setor, que tem forte impacto na economia como um todo.

Impacto direto no acesso ao crédito

A redução no preço dos imóveis pode fazer diferença decisiva no momento da análise de crédito. Muitas famílias ficam próximas do limite exigido pelos bancos, e qualquer diminuição no valor final pode ser suficiente para garantir a aprovação do financiamento.

Nesse sentido, a medida não apenas reduz custos, mas amplia o acesso ao sistema financeiro. Isso cria um efeito em cadeia: mais compradores aprovados, mais vendas realizadas e maior movimentação econômica no setor imobiliário.

Benefício temporário e efeitos limitados

Apesar do potencial positivo, a política tem prazo definido e deve durar apenas um ano. Esse fator pode gerar uma corrida por compras no curto prazo, concentrando a demanda em um período específico.

Além disso, há dúvidas sobre o quanto da redução tributária será efetivamente repassado ao consumidor final, já que fatores como margem de lucro e custos operacionais também influenciam os preços.

Outro ponto importante é que imóveis de interesse social já não sofrem incidência desse imposto, o que limita o alcance da medida entre as camadas de menor renda.

Construção civil como motor econômico

O setor da construção civil é um dos principais pilares da economia, devido à sua capacidade de gerar empregos rapidamente e movimentar diversas cadeias produtivas.

Ao estimular a venda de imóveis, o governo também busca incentivar novos projetos, aquecer investimentos e aumentar a circulação de dinheiro no país.

Esse efeito multiplicador é um dos principais argumentos a favor da redução de impostos como ferramenta de política econômica, especialmente em momentos de desaceleração.

Dois modelos, caminhos diferentes

A comparação entre os dois países evidencia estratégias diante de um mesmo desafio. Tornar a moradia mais acessível e reaquecer o mercado imobiliário. De um lado, uma política de redução temporária de impostos para estimular a demanda; do outro, um modelo mais rígido, com foco na manutenção da arrecadação.

Os próximos meses serão decisivos para avaliar os resultados dessa iniciativa e entender se a redução tributária pode, de fato, ser um caminho eficaz para equilibrar crescimento econômico e acesso à habitação.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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