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Enquanto combustíveis ficam mais baratos, cigarros vão aumentar mais ainda

Por Leticia Florenço
09/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Cigarro - Reprodução/Unsplash

Cigarro - Reprodução/Unsplash

O recente pacote econômico anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva evidencia uma estratégia de reduzir impostos e subsidiar setores considerados essenciais enquanto eleva a carga tributária sobre produtos vistos como prejudiciais à saúde, como o cigarro.

Diante dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o preço internacional do petróleo, o governo optou por uma atuação direta no mercado. O pacote inclui subsídios ao diesel, incentivo à importação e redução de tributos sobre combustíveis estratégicos.

O diesel, por exemplo, tornou-se o principal foco. Com subvenções que podem ultrapassar bilhões mensais, a intenção é evitar repasses bruscos ao consumidor e garantir o abastecimento. A política também inclui a zeragem de tributos sobre o biodiesel, componente obrigatório na mistura vendida nos postos.

Além disso, o gás de cozinha, item essencial para famílias de baixa renda, também foi contemplado com subsídios à importação, reduzindo o preço final do botijão e amenizando o impacto inflacionário.

Aviação e transporte também entram no pacote

Outro setor beneficiado foi o de transporte aéreo. Com custos altamente dependentes do combustível, as companhias receberam acesso a crédito bilionário, além da redução de tributos sobre o querosene de aviação.

A medida busca evitar o aumento das passagens e manter o crescimento do setor, que atingiu números recordes recentemente. Ao reduzir custos operacionais, o governo tenta impedir que o consumidor final absorva os impactos da crise internacional.

Aumento do imposto sobre cigarros

Para equilibrar as contas públicas, o governo decidiu elevar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre cigarros. A alíquota sobe de 2,25% para 3,5%, enquanto o preço mínimo da carteira aumenta de R$ 6,50 para R$ 7,50.

A expectativa é arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão em 2026. Trata-se de uma escolha estratégica: taxar mais fortemente um produto associado a riscos à saúde pública, ao mesmo tempo em que se aliviam custos de setores essenciais.

Arrecadação e saúde pública

O aumento do imposto sobre cigarros não tem apenas caráter fiscal. Historicamente, a elevação de preços desse tipo de produto também busca reduzir o consumo, especialmente entre jovens e populações mais vulneráveis.

No entanto, experiências anteriores mostram que o efeito pode ser limitado. Autoridades reconhecem que aumentos passados não tiveram impacto significativo nem na arrecadação nem na redução do consumo, levantando dúvidas sobre a eficácia da medida no longo prazo.

Equilíbrio fiscal sob pressão

O pacote levanta questionamentos sobre sustentabilidade fiscal. Embora o Ministério da Fazenda defenda neutralidade nas contas públicas, o volume de subsídios e renúncias tributárias é significativo.

A aposta do governo é que o aumento da arrecadação com petróleo, promovido pelos preços internacionais, compense os gastos. Ainda assim, especialistas apontam que o sucesso da estratégia depende de fatores externos, como a duração da crise geopolítica.

Mais fiscalização e controle de preços

Além das medidas econômicas, o governo também reforçou o papel regulatório do Estado. Houve aumento dos poderes de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e aumento das punições contra práticas abusivas.

A proposta inclui até mesmo a criminalização de aumentos injustificados de preços, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão. O objetivo é garantir que os benefícios das medidas cheguem efetivamente ao consumidor.

Ao aliviar setores estratégicos e tributar produtos específicos, busca-se manter a economia funcionando sem pressionar excessivamente a inflação. No entanto, a eficácia dessas medidas dependerá da evolução do cenário internacional e da capacidade de execução interna.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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