Uma investigação publicada pelo site Metrópoles, com base em dados oficiais obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, revelou uma expansão incomum e veloz no mercado de empréstimos consignados oferecidos a aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo o levantamento, algumas instituições financeiras chegaram a aumentar suas carteiras em até vinte vezes em apenas um trimestre, fenômeno que alterou de forma abrupta o cenário do crédito consignado no país.
Empréstimo do INSS deu faturamento de bilhões para bancos
O estudo mostra que, nos últimos cinco anos, 87 bancos que firmaram ou mantiveram acordos com o INSS movimentaram cerca de 466 bilhões de reais com operações descontadas diretamente dos benefícios previdenciários.
O avanço ocorreu de maneira constante, mas encontrou seu salto mais expressivo durante o período da pandemia, quando a receita mensal dos bancos com consignados passou de 4 para 9 bilhões de reais.
O volume de contratos também subiu, saindo de 23 para 35 milhões de operações ativas.
A rápida multiplicação de instituições autorizadas a oferecer esse tipo de crédito, que subiram de 52 para 87 desde 2020, ajuda a explicar parte desse crescimento.
Entre os casos mais chamativos está o do Agibank, que saiu de 20 mil contratos ativos em meados de 2021 para mais de 400 mil poucos meses depois. Hoje, acumula uma carteira que supera 1,5 milhão de operações e já recebeu quase 15 bilhões de reais em pagamentos descontados dos segurados.
Situação semelhante ocorreu com o C6 Bank, que entrou no setor em 2020 e, em pouco tempo, atingiu a marca de 1 milhão de consignados, avançando para mais de 3 milhões de contratos em 2024.
Beneficiários do INSS já denunciaram diversas irregularidades envolvendo empréstimos
O problema é que esse movimento acelerado veio acompanhado de um aumento expressivo nas reclamações e em decisões judiciais que apontam abusos.
Beneficiários relatam descontos sem autorização, contratos firmados com informações distorcidas, uso irregular da margem consignável destinada ao cartão de crédito e até portabilidade de benefícios feita sem consentimento.
Para milhares de aposentados, isso significou perda de renda e dificuldade para contestar dívidas que afirmam nunca ter assumido.
O INSS afirma ter endurecido as regras, rompido acordos com bancos envolvidos em irregularidades e ampliado mecanismos de controle.
Já as instituições citadas defendem que aprimoraram sistemas de segurança, reforçaram a verificação biométrica e reduziram o número de reclamações.
Mesmo assim, o levantamento deixa claro que o avanço bilionário do setor ocorreu à custa de um público especialmente vulnerável, que depende do benefício mensal para sobreviver.






