Sete anos após o episódio que marcou os primeiros bebês geneticamente modificados, a edição genética em embriões humanos volta a ocupar destaque no debate científico. A Manhattan Genomics, sediada em Nova York, pretende aplicar técnicas de edição genética para corrigir mutações ligadas a doenças hereditárias, concentrando-se inicialmente em condições monogênicas, como fibrose cística, anemia falciforme e doença de Huntington.
O objetivo é eliminar essas mutações das gerações futuras, com potencial para reduzir o impacto dessas doenças. A proposta reacende discussões éticas e científicas significativas. Especialistas ressaltam que, na maioria dos casos, a prevenção de doenças hereditárias pode ser alcançada por meio de triagem embrionária, sem necessidade de intervenção genética.
Entretanto, em situações excepcionais, quando ambos os pais apresentam mutações graves, a edição genética pode ser a única alternativa viável para gerar embriões saudáveis. Os riscos envolvidos incluem a possibilidade de alterações genéticas indesejadas, que podem provocar câncer ou outras condições de saúde que seriam transmitidas às gerações seguintes.
Nova empresa de edição genética
A empresa foi criada por Cathy Tie, CEO da Ranomics, e por Eriona Hysolli, ex-diretora de ciências biológicas da Colossal Biosciences. A empresa formou uma equipe multidisciplinar, reunindo especialistas em fertilização in vitro, biologia reprodutiva e ciência de dados, incluindo o médico Norbert Gleicher, o cientista de dados Stephen Turner e biólogos do Centro Nacional de Pesquisa com Primatas da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon (OHSU). As atividades da startup serão realizadas sob supervisão independente e com total transparência, buscando reduzir riscos e assegurar rigor científico.
Apesar de a tecnologia ainda se encontrar em fase inicial, a Manhattan Genomics despertou grande interesse na comunidade científica, recebendo mais de 150 inscrições nas primeiras 24 horas após a abertura das vagas. A empresa ressalta que um dos principais desafios será tornar a edição genética socialmente aceitável e obter a aprovação de órgãos regulatórios para futuras aplicações clínicas.






