O Brasil parou em 2012 quando veio à tona o assassinato de Marcos Kitano Matsunaga, diretor executivo da Yoki. A responsável era sua esposa, Elize Matsunaga, técnica em enfermagem.
Marcos foi morto e esquartejado dentro do próprio apartamento do casal. A brutalidade transformou o caso em um dos episódios policiais mais emblemáticos da história recente, alimentando curiosidade, debates e um verdadeiro interesse nacional pela vida de Elize, antes, durante e depois da prisão.
Anos após o crime, o nome de Elize retorna aos noticiários com a estreia da série Tremembé, do Prime Video, que mostra o dia a dia no complexo penitenciário onde ela cumpriu pena. Tremembé ficou conhecido como “presídio dos famosos”, por receber pessoas envolvidas em crimes de grande repercussão.
A presença do caso na trama reacende uma pergunta que incomoda muita gente: por que, mesmo após cumprir parte da pena, Elize ainda continua gerando lucro e audiência?
De personagem real a produto de consumo midiático
A história de Elize foi transformada em negócio. A série se baseia em dois livros do jornalista Ulisses Campbell: “Suzane: Assassina e Manipuladora” (2020) e “Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido” (2021).
No mesmo ano, ela também virou centro do documentário da Netflix “Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime”. Cada obra desperta nova curiosidade, movimenta plataformas de streaming e mantém o caso vivo no imaginário do público.
Mesmo após o crime, Elize não saiu de mãos vazias
Quando o documentário estava prestes a estrear, Ulisses Campbell revelou que Elize não deixou o casamento sem nada. Ela recebeu aproximadamente R$ 900 mil em bens do casal, valor dividido devido ao regime de comunhão parcial de bens.
Ou seja, não se tratou de herança, mas de patrimônio que estava registrado em nome de ambos. A maior parte da fortuna de Marcos ficou para a filha do casal, que precisou de acompanhamento psicológico após descobrir o crime ainda na infância.
Da penitenciária para a vida civil
Elize foi condenada a 19 anos e 11 meses. Cumpriu 10 anos em Tremembé e, em 2022, obteve direito ao regime aberto. Saiu da prisão com regras claras, endereço fixo, trabalho formal e proibição de sair da cidade sem autorização.
Passou a viver em Franca, no interior de São Paulo, tentando levar uma rotina comum, algo que, para alguém que virou figura pública involuntária, é quase impossível.
Nos primeiros meses em liberdade, Elize tentou trabalhar como motorista de aplicativo. Bastou pouco tempo para que clientes a reconhecessem e começassem críticas e ataques. Ela desistiu.
Na tentativa de encontrar um meio de vida longe da exposição, passou a costurar roupas e acessórios para animais de estimação, mantendo atividade discreta e longe dos flashes. Ainda assim, o passado sempre reaparece quando o público demonstra interesse em novas entrevistas, séries e projetos envolvendo sua história.






