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El Niño mais forte dentro de um século pode acontecer em 2026

Por Leticia Florenço
28/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Tempestade - Reprodução/iStock

Tempestade - Reprodução/iStock

A Organização Meteorológica Mundial elevou o nível de atenção ao confirmar a formação de um novo episódio do El Niño, com projeções que apontam para uma intensidade fora do padrão histórico.

O cenário desenhado por centros internacionais de meteorologia indica que o fenômeno pode atingir seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027, com potencial para se tornar o mais forte registrado em mais de um século.

Aquecimento do pacífico preocupa cientistas

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, mas, desta vez, o diferencial está na magnitude prevista. Modelos climáticos convergem ao indicar uma elevação expressiva da temperatura da superfície do mar, capaz de alterar drasticamente a circulação atmosférica global.

Para especialistas como Paul Roundy, há risco real de o evento ultrapassar marcas históricas recentes, incluindo o episódio de 2015, considerado um dos mais intensos já registrados.

Risco de recordes e eventos extremos

Caso as projeções se confirmem, o planeta poderá enfrentar uma sequência de recordes climáticos. O aumento das temperaturas médias globais tende a intensificar ondas de calor, alterar padrões de vento e ampliar a ocorrência de eventos extremos.

O El Niño atua como um catalisador dessas mudanças, reorganizando o clima em escala global e criando condições para fenômenos simultâneos em diferentes regiões.

Variações climáticas ao redor do mundo

Os impactos do fenômeno não se distribuem de forma uniforme, o que amplia seus efeitos. Regiões como América Central, África Central, Austrália e partes do Sudeste Asiático podem enfrentar secas severas, com redução significativa das chuvas.

Em contrapartida, áreas da América do Sul e da América do Norte tendem a registrar volumes elevados de precipitação, aumentando o risco de enchentes, deslizamentos e danos urbanos.

No Brasil, os efeitos costumam seguir um padrão já conhecido, mas potencialmente mais intenso. A região Sul deve enfrentar aumento expressivo das chuvas, elevando o risco de inundações e eventos extremos.

Já o Norte e o Nordeste podem sofrer com a intensificação da seca, impactando diretamente o abastecimento de água e a produção agrícola. Esse contraste climático amplia desafios econômicos e sociais.

Agricultura sob pressão global

A instabilidade climática provocada pelo El Niño representa uma ameaça direta à segurança alimentar. Culturas essenciais, como trigo, milho e arroz, tornam-se mais vulneráveis às variações de temperatura e à irregularidade das chuvas.

A quebra de safras em diferentes partes do mundo pode gerar efeito dominó nos preços e no abastecimento, afetando principalmente países mais dependentes da produção agrícola.

Preparação e resposta internacional

Diante das previsões, governos e organizações internacionais intensificam estratégias de prevenção. A adoção de sistemas de monitoramento mais eficientes, o planejamento agrícola adaptado e a gestão sustentável dos recursos hídricos são medidas consideradas essenciais para reduzir danos.

A antecipação dos impactos pode ser decisiva para proteger populações vulneráveis e minimizar prejuízos econômicos.

Cientistas investigam a influência do aquecimento global na intensificação desses fenômenos, levantando a hipótese de que episódios extremos possam se tornar mais frequentes nas próximas décadas. Se confirmado, o cenário reforça a necessidade de adaptação contínua diante de um clima cada vez mais imprevisível.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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