O espaço continua a revelar mistérios fascinantes aos olhos humanos, e desta vez, um fenômeno raro e espetacular chamou a atenção do mundo. A astronauta Nichole Ayers, da NASA, capturou recentemente uma imagem impressionante de um “duende vermelho”, ou red sprite, enquanto a Estação Espacial Internacional (ISS) sobrevoava a América do Norte.
Essa rara descarga elétrica atmosférica, invisível para a maioria dos observadores na Terra, foi registrada em toda sua beleza a mais de 400 km de altitude. Entenda a seguir o que são esses duendes, por que intrigam tanto os cientistas e como vêm sendo documentados cada vez mais com a ajuda de astronautas e do público.
O que são os “duendes vermelhos”?
Apesar do nome lúdico, os red sprites são fenômenos elétricos extremamente poderosos que ocorrem entre 50 e 90 km de altitude, na chamada mesosfera.
Eles pertencem a uma categoria conhecida como TLEs – Transient Luminous Events ou Eventos Luminosos Transitórios, que incluem outros fenômenos como os “elfos” e os “jatos azuis”.
Ao contrário dos relâmpagos convencionais, que se originam dentro das nuvens e vão em direção ao solo, os sprites surgem acima das tempestades, quando uma forte descarga elétrica provoca uma reação com o nitrogênio da atmosfera, produzindo uma luz vermelha intensa e momentânea.
Sua aparência é muitas vezes descrita como uma medusa luminosa, com filamentos verticais e uma base larga.
Do mito à ciência
Relatos esporádicos de pilotos comerciais e militares observando flashes avermelhados acima de nuvens carregadas existem desde o século passado, mas foram frequentemente descartados como ilusões ou erros de percepção.
Somente em julho de 1989 os duendes vermelhos foram registrados em vídeo por cientistas da Universidade de Minnesota, provando sua existência de forma inequívoca.
A partir daí, o interesse científico por esse tipo de evento aumentou, impulsionando estudos atmosféricos, registros aéreos e, mais recentemente, fotografias espaciais.
Por que são tão difíceis de observar da Terra?
Os sprites raramente são visíveis do solo, exceto em condições muito específicas, geralmente em noites escuras, com céu limpo e sem poluição luminosa, quando se está observando tempestades distantes no horizonte.
É por isso que as imagens capturadas da Estação Espacial Internacional se tornaram tão valiosas: lá do alto, os astronautas têm uma visão desobstruída da atmosfera superior e podem registrar esses fenômenos com uma clareza impossível de alcançar a partir da superfície terrestre.
A imagem espetacular de Nichole Ayers
Em 3 de julho de 2025, enquanto a ISS sobrevoava o México e os Estados Unidos, a astronauta Nichole Ayers capturou uma das fotos mais claras e impressionantes de um duende vermelho já feitas.
Ayers está em sua primeira missão espacial como parte da tripulação da Crew-10, lançada em março de 2025, ao lado de astronautas dos EUA, Japão e Rússia.
Durante sua estadia na ISS, além de experimentos científicos e manutenção do laboratório orbital, ela também se dedica à fotografia, que tem se mostrado uma ferramenta valiosa para estudos atmosféricos.
Estudar esses eventos luminosos ajuda a entender mais do que apenas belas imagens. Eles fornecem pistas sobre a atividade elétrica nas tempestades, a estrutura da atmosfera superior e até mesmo o impacto das tempestades tropicais na ionosfera.
Alguns cientistas investigam também sua relação com as mudanças climáticas e variações de campo elétrico global.
O fato de que esses fenômenos ocorrem a altitudes em que aviões comerciais não voam, mas onde satélites e espaçonaves transitam, faz com que os registros espaciais se tornem cada vez mais estratégicos para a ciência climática e atmosférica.






