No Brasil, de 10% a 12% dos bebês nascem antes da 37ª semana de gestação, totalizando cerca de 300 mil a 340 mil prematuros por ano, grupo com maior vulnerabilidade a complicações e risco de mortalidade neonatal.
Para investigar estratégias que favoreçam o desenvolvimento desses recém-nascidos, a Universidade Federal do Ceará (UFC) conduziu um estudo sobre os efeitos do posicionamento terapêutico em rede no ganho de peso de prematuros internados.
Publicada no Journal of Pediatrics, a pesquisa acompanhou 60 bebês de baixo peso atendidos na Santa Casa de Misericórdia de Sobral (CE) entre julho de 2022 e outubro de 2023.
Efeito da rede nos bebês prematuros
O estudo foi um ensaio clínico randomizado simples cego com 60 recém-nascidos divididos em quatro grupos de 15:
- Controle: cuidados convencionais da unidade neonatal.
- Hidroterapia isolada: banhos de imersão de 15 minutos por dia.
- Rede isolada: 2 horas diárias em posicionamento suspenso em rede.
- Grupo combinado: uso simultâneo de rede e hidroterapia.
Resultados de ganho de peso em 15 dias:
- Grupo controle: 305 gramas
- Hidroterapia isolada: 346 gramas (sem diferença estatística significativa em relação ao controle)
- Rede isolada: 360 gramas (ganho estatisticamente relevante)
- Grupo combinado rede + hidroterapia: 616 gramas (mais que o dobro do controle)
Impactos, uso e próximos passos
Pesquisadores destacam que o posicionamento em rede promove relaxamento nos recém-nascidos, reproduzindo características do ambiente intrauterino e auxiliando no ganho de peso e desenvolvimento.
A rede, com formato côncavo e confeccionada em algodão, mantém o bebê aquecido e contido, minimizando pontos de pressão e estímulos dolorosos, além de favorecer um sono mais profundo e contínuo.
Especialistas enfatizam que o uso deve ocorrer apenas em ambiente hospitalar, sob monitoramento constante, para evitar riscos como obstrução respiratória ou torção do pescoço.
A técnica é complementar ao método canguru e não deve substituí-lo, sendo indicada especialmente nos momentos em que a presença da família não é possível.
O grupo de pesquisa pretende conduzir novos estudos para avaliar períodos mais longos de utilização da rede e seus efeitos sobre dor, estresse e desenvolvimento, visando incorporar essa prática de baixo custo à rotina das UTIs neonatais.






