A rede de lojas Havan anunciou no início de 2026 que irá distribuir R$ 93 milhões aos seus funcionários por meio do Programa de Participação nos Resultados (PPR).
O valor será dividido entre os mais de 23 mil colaboradores da empresa espalhados por diversas regiões do país e está ligado ao desempenho financeiro obtido ao longo do último ciclo de resultados, em 2025.
Dono da Havan decide distribuir R$ 93 milhões para funcionários
Segundo a companhia, o pagamento do PPR representa uma forma de compartilhar com os trabalhadores parte do crescimento alcançado. O bônus é concedido quando metas previamente estabelecidas são superadas, como faturamento, vendas e indicadores operacionais.
Na prática, funciona como uma remuneração extra, semelhante a um salário adicional, mas que não integra o salário fixo nem é obrigatório por lei.
Cada funcionário deverá receber uma quantia proporcional definida internamente pela empresa, levando em conta critérios do programa.
A Havan informou que a decisão foi tomada após a confirmação de resultados considerados expressivos, em um cenário no qual a empresa manteve a expansão de suas operações e a estabilidade do quadro de colaboradores.
O pagamento será realizado ainda no primeiro semestre do ano, antecipando valores que normalmente seriam distribuídos apenas após o fechamento completo do exercício financeiro.
Para a direção da empresa, a iniciativa busca reforçar a ideia de que o desempenho coletivo tem impacto direto nos ganhos individuais.
Pagamento extra da Havan dividiu opiniões nas redes sociais
A divulgação do anúncio gerou ampla repercussão nas redes sociais.
Parte dos comentários elogiou a iniciativa, destacando que programas de participação nos resultados ajudam a valorizar os trabalhadores e reconhecer o esforço diário de quem atua nas lojas, centros de distribuição e áreas administrativas.
Para esses usuários, a distribuição de um montante elevado reforça a imagem de uma empresa que compartilha seus lucros.
Outros internautas, no entanto, adotaram um tom mais crítico. Houve quem defendesse que esse tipo de pagamento deveria ser uma prática comum em todas as empresas, e não tratado como exceção ou benfeitoria da empresa.
Nessa visão, o PPR seria apenas a devolução de uma parcela da riqueza gerada diretamente pelo trabalho dos próprios funcionários, e não um benefício extraordinário.
Luciano Hang e a Havan foram condenados por coagir funcionários
Em meio às reações, também surgiram lembranças de episódios passados envolvendo a Havan e seu fundador, Luciano Hang.
Alguns usuários relembraram a condenação da empresa e do empresário na Justiça do Trabalho em 2024 por assédio eleitoral relacionado às eleições de 2018, decisão que ainda gera debates e divide opiniões.
Na época, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), Hang fez reuniões com os funcionários da Havan e pesquisa de opinião perguntando sobre qual seria o voto deles, e afirmando que “poderia demitir até 15 mil pessoas” se o resultado não fosse o esperado por ele.
A indenização poderia chegar a até R$ 85 milhões. Após a resolução judicial, o empresário declarou em nota que a decisão foi “descabida e ideológica”, além de ter negado as acusações.
Apesar disso, o anúncio do PPR acabou dominando o noticiário recente, reacendendo discussões mais amplas sobre lucros, participação dos trabalhadores e responsabilidades das grandes empresas no Brasil.






