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Doença transmissível deixa Ministério da Saúde em alerta vermelho

Por Leticia Florenço
03/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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doença Mpox

Mpox - Reprodução

O aumento recente de casos de Mpox no Brasil acendeu o sinal de atenção das autoridades sanitárias. Em 2026, o Ministério da Saúde confirmou 88 infecções pela doença, além de dois casos prováveis e 171 suspeitos em investigação.

Embora o cenário esteja distante do grande surto registrado em 2022, quando houve mais de 10 mil confirmações e mortes associadas, a evolução rápida dos números levou o governo federal a intensificar o monitoramento e reforçar orientações à população.

Crescimento recente chama atenção

Os dados mostram que o número de casos praticamente dobrou em um intervalo curto. Em 20 de fevereiro, eram 48 registros; poucos dias depois, chegaram a 88, um aumento de cerca de 83%.

Especialistas explicam que, quando a base numérica é pequena, variações percentuais parecem mais expressivas, mas ainda assim o movimento é acompanhado com cautela pelas equipes de vigilância epidemiológica.

A idade média dos infectados é de 33 anos, e aproximadamente 78% dos casos ocorreram em homens cisgêneros. A boa notícia é que a maioria dos pacientes apresentou sintomas leves a moderados, sem registros de quadros graves ou óbitos até o momento.

Estados com mais registros

O avanço da Mpox não ocorre de forma uniforme pelo país. O estado de São Paulo concentra a maior parte das confirmações, com 63 casos. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Distrito Federal (1).

Autoridades estaduais, especialmente em São Paulo, informam que o cenário epidemiológico é acompanhado continuamente, com integração entre secretarias municipais e a rede de atendimento. A estratégia busca detectar rapidamente novos casos e evitar cadeias de transmissão mais amplas.

Vacinação existe, mas é restrita

Um ponto que gera dúvidas na população é a disponibilidade de vacina. O imunizante contra a Mpox está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), porém não faz parte do calendário de rotina. A aplicação é direcionada a grupos com maior risco de exposição ou pessoas consideradas vulneráveis.

O objetivo da vacinação seletiva é reduzir a transmissão em situações específicas e proteger indivíduos mais suscetíveis, sem necessidade de imunização em massa neste momento epidemiológico.

Sintomas se parecem com catapora

A Mpox é uma doença viral infecciosa que costuma provocar manifestações cutâneas características. As lesões aparecem inicialmente como bolhas ou vesículas cheias de líquido, que posteriormente se rompem e formam crostas.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Febre acima de 38,5 °C
  • Dor de cabeça
  • Ínguas (linfonodos inchados)
  • Dores musculares e nas costas
  • Cansaço intenso

Devido à semelhança visual com a catapora, o diagnóstico clínico pode gerar confusão inicial, o que torna importante a avaliação médica e, quando necessário, a confirmação laboratorial.

Como ocorre a transmissão

A principal forma de contágio é o contato direto com lesões de pele, secreções corporais ou materiais contaminados de pessoas infectadas. Por isso, o isolamento do paciente durante o período de transmissibilidade é uma das medidas mais importantes para conter a disseminação do vírus.

Ambientes com aglomeração e contato próximo entre pessoas podem facilitar a propagação, motivo pelo qual eventos de grande porte costumam entrar no radar das autoridades de saúde.

Tratamento

Até o momento, não existe um medicamento específico comprovadamente eficaz contra a Mpox para a maioria dos casos. O tratamento indicado é sintomático e de suporte, com foco em:

  • Controle da dor e da febre
  • Hidratação adequada
  • Boa alimentação
  • Cuidados com as lesões da pele

O antiviral tecovirimat, originalmente desenvolvido para varíola, já teve importação autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em situações específicas.

No entanto, estudos ainda não demonstraram benefício consistente em quadros leves, que representam a maior parte das infecções.

Autoridades

Especialistas do Ministério da Saúde destacam que o número atual de casos é considerado baixo e dentro do comportamento esperado da doença. Mesmo assim, a orientação é manter vigilância ativa, especialmente no período pós-Carnaval, quando há maior circulação de pessoas.

O cenário da Mpox segue em observação contínua no Brasil. A resposta rápida das equipes de saúde, aliada à informação correta para a população, é vista como essencial para impedir que a doença volte a atingir níveis elevados como no passado recente.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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