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Diagnóstico de autismo muda após pesquisa internacional impactante

Por Yasmin Henrique
16/10/2025
Em Mais Tendências, Colunas
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Dificuldade de identificar autismo em meninas pode adiar suporte

Autismo (Foto: reprodução/Tara Winstead/Pexels)

Uma pesquisa internacional conduzida por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desafia a concepção de que o autismo se trata de uma condição única com uma causa subjacente uniforme. Publicado na revista Nature, o estudo revela que o autismo detectado na primeira infância possui características genéticas e padrões de desenvolvimento diferentes daqueles observados em diagnósticos realizados no final da infância ou na adolescência.

De acordo com Varun Warrier, do Departamento de Psiquiatria de Cambridge, o termo “autismo” provavelmente engloba diversas condições, e este trabalho foi pioneiro ao identificar variações biológicas e de desenvolvimento entre casos diagnosticados de forma precoce e tardia.

Diagnóstico de autismo

Os pesquisadores examinaram dados comportamentais de crianças e adolescentes no Reino Unido e na Austrália, além de informações genéticas de mais de 45.000 pessoas autistas em grandes coortes da Europa e dos Estados Unidos. A análise revelou que crianças diagnosticadas antes dos seis anos frequentemente apresentam dificuldades comportamentais desde cedo, incluindo problemas de interação social.

Por outro lado, indivíduos diagnosticados posteriormente tendem a enfrentar desafios sociais e comportamentais na adolescência e apresentam maior propensão a desenvolver condições de saúde mental, como depressão. A comparação entre os dados genéticos e a idade do diagnóstico mostrou que os perfis genéticos variam significativamente entre os grupos.

O autismo identificado tardiamente apresentou semelhanças genéticas mais próximas do TDAH, depressão e transtorno de estresse pós-traumático do que do autismo precoce. Além disso, a ausência de apoio durante a primeira infância, incluindo maior exposição a situações de bullying, contribui para o aumento do risco de problemas de saúde mental nesse grupo.

Genética e suporte

A pesquisa também analisou fatores poligênicos — múltiplas variantes genéticas que atuam de forma combinada —, responsáveis por aproximadamente 11% das diferenças na idade em que o autismo é diagnosticado. Warrier enfatiza que entender a interação entre genética e aspectos sociais será fundamental para melhorar a saúde mental de pessoas autistas diagnosticadas mais tarde.

Segundo os autores, é essencial reconhecer e oferecer apoio a indivíduos autistas em todas as etapas da vida, não apenas na primeira infância. Essa abordagem permite aperfeiçoar diagnósticos e intervenções, garantindo cuidado e suporte contínuos ao longo do desenvolvimento.

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Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita.

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