Mais Tendências - Tribuna de Minas
  • Cidade
  • Contato
  • Região
  • Política
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura
  • Empregos
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados

Desenvolvimento dos bebês pode ser afetado pela pobreza

Por Leticia Florenço
25/02/2026
Em Mais Tendências, Colunas
0
Bebês - Reprodução/iStock

Bebês - Reprodução/iStock

Um estudo brasileiro recente acendeu um alerta importante sobre a primeira infância: a pobreza pode impactar o desenvolvimento motor dos bebês já a partir dos seis meses de idade.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos, é a primeira no país a acompanhar mês a mês a evolução motora nos primeiros meses de vida relacionando esses dados à vulnerabilidade socioeconômica.

O trabalho acompanhou 88 bebês entre 3 e 8 meses, sendo 50 deles em situação de maior vulnerabilidade. Os resultados foram publicados na revista científica Acta Psychologica e reforçam que o ambiente em que a criança cresce exerce influência desde muito cedo.

Diferenças aparecem por volta dos seis meses

Segundo os pesquisadores, os bebês expostos a contextos socioeconômicos mais frágeis apresentaram, em média, menor repertório e qualidade de movimentos a partir dos seis meses. A observação mensal permitiu identificar com precisão quando essas diferenças começaram a emergir.

Na prática, isso significa que habilidades motoras fundamentais, como rolar, sustentar melhor o tronco e explorar o ambiente, podem se desenvolver de forma menos consistente quando o bebê cresce em ambientes com menos estímulos e recursos.

O papel do ambiente no desenvolvimento motor

Os cientistas destacam que a pobreza não atua isoladamente, mas por meio de fatores que moldam o cotidiano da criança. Entre os elementos mais relevantes estão a menor oferta de estímulos motores, níveis mais elevados de estresse familiar, limitações de espaço físico e acesso desigual a informações e serviços de saúde.

Ambientes com menos oportunidades de exploração corporal podem reduzir a frequência com que o bebê pratica movimentos importantes. Como o desenvolvimento nessa fase é altamente dependente da experiência, pequenas diferenças de estímulo tendem a se acumular ao longo dos meses.

Por que os primeiros meses são tão sensíveis

Entre 3 e 8 meses de vida ocorre uma fase de rápidas transformações motoras. O bebê passa de movimentos mais reflexos para ações cada vez mais voluntárias e coordenadas. Esse período é considerado uma janela crítica porque o corpo e o cérebro estão especialmente receptivos às experiências.

Quando há menor variedade ou qualidade de movimentos, o bebê pode explorar menos o ambiente. A exploração corporal está ligada também ao desenvolvimento cognitivo, sensorial e social.

Impactos possíveis ao longo da infância

Embora o estudo não acompanhe as crianças por anos, pesquisas anteriores indicam que diferenças motoras precoces podem se associar, no futuro, a desafios em outras áreas do desenvolvimento. Entre eles estão possíveis atrasos de linguagem, menor engajamento exploratório e dificuldades de aprendizagem.

Os próprios autores ressaltam, porém, que não se trata de um destino inevitável. O desenvolvimento infantil é plástico e pode responder positivamente a intervenções adequadas, sobretudo quando realizadas cedo.

Intervenção precoce pode mudar trajetórias

Uma das mensagens mais importantes do estudo é que ações simples podem fazer diferença.

Orientações aos cuidadores sobre brincadeiras motoras, incentivo ao tempo de chão supervisionado, acompanhamento na atenção básica e programas de apoio familiar são estratégias capazes de ampliar as oportunidades de movimento.

Mesmo em contextos de vulnerabilidade, ambientes mais responsivos e estimulantes ajudam a favorecer o desenvolvimento. Por isso, especialistas defendem políticas públicas focadas nos primeiros anos de vida.

Um alerta para políticas de primeira infância

Os resultados ganham relevância especial no Brasil, país marcado por desigualdades sociais expressivas. Ao demonstrar que os efeitos da vulnerabilidade podem surgir ainda no primeiro semestre de vida, o estudo oferece evidências importantes para o planejamento de ações em saúde, educação e assistência social.

Quanto mais cedo forem identificadas e enfrentadas as desigualdades no início da vida, maiores são as chances de promover trajetórias de desenvolvimento mais saudáveis e equitativas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

Próximo post

BBB 26 prepara 'expulsão' imediata com nova dinâmica radical

Confira!

Cachorro - Reprodução/iStock

A psicologia explica por que quem conversa com o pet como se fosse gente tem características acima da média

05/06/2026
Imposto de Renda Receita Federal

Mesmo com problemas na pré-preenchida, declaração pode virar automática em 3 anos

05/06/2026
Esponja - Reprodução/Unsplash/fcafotodigital

Estudo comprova que a esponja de louça libera microplásticos na água a cada vez que é usada

05/06/2026

Copyright Tribuna de Minas. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a autorização escrita da Tribuna de Minas

Contato

Bem-vindo de volta!

Faça login abaixo

Esqueceu a senha?

Recupere sua senha

Insira seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Log In

Adicionar nova Playlist

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Contato

Tribuna de Minas