A Bahia enfrenta um cenário preocupante com o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que já soma mais de 5 mil ocorrências apenas entre janeiro e junho de 2025.
A doença, que representa a forma mais grave de infecções respiratórias, causou 191 mortes no estado até o momento. O que mais chama a atenção das autoridades de saúde é a identificação do rinovírus como o principal causador dos quadros graves, sendo responsável por 53,5% dos casos.
De resfriado comum a internações em UTI
Comumente relacionado ao resfriado comum, o rinovírus surpreende por sua capacidade de evoluir para formas mais graves da doença, especialmente em grupos vulneráveis como crianças e idosos.
Apesar de geralmente causar sintomas leves como coriza, espirros, dor de garganta e fadiga, o vírus pode progredir rapidamente para um quadro mais sério, levando à necessidade de internação e, em alguns casos, suporte respiratório intensivo.
Alta transmissão e vulnerabilidade no inverno
Especialistas alertam que o número crescente de casos graves está relacionado ao comportamento da população durante o inverno. Ao contrário do que muitos acreditam, não é o frio que provoca doenças respiratórias, mas o fato de as pessoas passarem mais tempo em ambientes fechados e mal ventilados.
Isso favorece a circulação do vírus, que se espalha com facilidade por meio de gotículas respiratórias e superfícies contaminadas.
Crianças e idosos estão entre os mais afetados
A infectologista Clarissa Cerqueira explica que a maior suscetibilidade de crianças e idosos se deve à imunidade mais frágil e à maior exposição em locais coletivos, como escolas e instituições de longa permanência.
Com a chegada do rinovírus, muitos desses pacientes evoluem rapidamente de um simples resfriado para pneumonia, e em seguida, para a SRAG.
Sintomas evoluem de leves a extremamente graves
O quadro clínico geralmente começa com os sinais clássicos de um resfriado. Contudo, em pacientes vulneráveis, surgem sintomas mais graves como falta de ar, dor torácica, dificuldade para respirar, escurecimento dos lábios e, em crianças, afundamento das costelas.
Esses sinais indicam a progressão da infecção para o comprometimento das vias aéreas inferiores, podendo culminar em insuficiência respiratória.
Queda nos números em relação a 2024, mas preocupação persiste
Mesmo com uma leve redução em relação ao ano anterior – quando foram registrados mais de 6 mil casos e 367 mortes –, os números atuais continuam alarmantes. Em média, ao menos uma pessoa morreu por dia devido à SRAG até o início de maio. A queda nos registros não diminui a gravidade da situação, já que o vírus continua circulando com força e se aproveitando das fragilidades sazonais da população.
Prevenção ainda é o melhor remédio
Não há vacina nem tratamento específico contra o rinovírus. A melhor forma de evitar a contaminação continua sendo a adoção de medidas preventivas, como o uso de máscaras em ambientes fechados, higienização frequente das mãos e distanciamento social.
No entanto, médicos reconhecem que essas práticas ainda não são seguidas por toda a população, o que dificulta o controle da propagação.
Tratamento é sintomático
O tratamento indicado para infecções leves pelo rinovírus inclui antitérmicos, analgésicos e hidratação. Já para os casos que evoluem para SRAG, o suporte médico precisa ser mais intensivo.
Muitas vezes, o paciente precisa de oxigenioterapia precoce, internação em UTI, fisioterapia respiratória e uso de medicamentos antivirais para combater complicações.
Um vírus até então considerado inofensivo para a maioria das pessoas se revela um risco real para a saúde pública, especialmente durante o inverno. O momento exige atenção, conscientização e uma mudança coletiva de comportamento para conter a evolução silenciosa desse agente respiratório.






