Um estudo publicado no International Journal of Hydrogen Energy mapeou as regiões brasileiras com maior potencial de produção e consumo de hidrogênio verde para apoiar a descarbonização industrial e o planejamento da transição energética.
A pesquisa aponta o combustível como estratégico para setores de difícil redução de emissões, como siderurgia, refino de petróleo e indústria química.
Produzido por eletrólise com energia renovável, o hidrogênio verde praticamente não emite gases de efeito estufa e pode substituir fósseis em processos de alta temperatura ou atuar como insumo químico.
A eletrólise foi priorizada por sua maturidade tecnológica, embora especialistas ressaltem que, em alguns casos, a eletrificação direta pode ser mais eficiente e econômica.
Descoberta de regiões pro hidrogênio verde
Metodologia do estudo
- Análise de 5.569 municípios para potencial de produção.
- Avaliação de 2.569 municípios para potencial de consumo industrial.
- Variáveis consideradas: localização geográfica, infraestrutura energética, emissões industriais de CO₂, segurança hídrica, potencial solar e velocidade dos ventos.
- Uso de sistemas de informação geográfica e algoritmos de aprendizado de máquina, como k-means, hierarchical clustering e DBSCAN.
- Sobreposição de mapas temáticos para identificar regiões com múltiplos fatores favoráveis.
Principais resultados
- Identificação de sete clusters com alto potencial de produção.
- Nordeste se destaca pela abundância de recursos solar e eólico.
- Identificação de dez clusters com maior potencial de consumo industrial.
- Sul e Sudeste concentram maior demanda devido ao parque industrial e níveis elevados de emissões.
- Produção e consumo não coincidem geograficamente, configurando desafio estrutural para o setor.
Fortuna a ser aproveitada
O estudo defende a criação de hubs de hidrogênio e investimentos em infraestrutura, como gasodutos adaptados e conversão em amônia verde, para aproximar produção e consumo. A eletrólise exige energia renovável abundante, favorecendo regiões com forte potencial solar e eólico.
Desenvolvida no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, da Shell Brasil e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a pesquisa ressalta que o Brasil possui matriz majoritariamente renovável e potencial para custos competitivos, embora ainda dependa de avanços regulatórios para atrair investimentos.






