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Descoberta impressionante mostra dieta de dinossauro preservada por milhões de anos

Por Leticia Florenço
31/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Uma descoberta extraordinária na Austrália está oferecendo uma das visões mais raras já obtidas pela paleontologia: a última refeição de um dinossauro preservada por aproximadamente 95 milhões de anos.

O achado envolve um espécime da espécie Diamantinasaurus matildae, apelidado de “Judy”, cujo conteúdo intestinal fossilizado revelou detalhes inéditos sobre sua alimentação.

O estudo, publicado na revista científica Current Biology, trouxe evidências diretas de que esses gigantes pré-históricos tinham uma dieta altamente baseada em vegetação e consumiam grandes volumes de plantas para sustentar seu enorme corpo.

A descoberta do fóssil na Austrália

O fóssil foi encontrado próximo à cidade de Winton, na região central da Austrália, durante escavações realizadas em 2017. A equipe de pesquisadores identificou algo extremamente raro: parte do conteúdo intestinal havia sido preservado.

Essa preservação aconteceu graças a um processo natural de mineralização, que criou uma espécie de “cápsula protetora” ao redor do material orgânico. Isso impediu que ele se decomvesse completamente ao longo de milhões de anos.

O resultado foi um cenário quase inédito na paleontologia: restos de alimentos ainda reconhecíveis dentro do corpo de um dinossauro.

O que havia no estômago do dinossauro?

A análise revelou fragmentos vegetais bem preservados e sinais de plantas parcialmente digeridas. Isso permitiu reconstruir, com alto nível de precisão, o que o animal consumiu antes de morrer. Entre os principais componentes identificados estavam:

  • Folhas de coníferas antigas
  • Samambaias com sementes
  • Plantas com flores primitivas
  • Vegetação típica do período Cretáceo

Os cientistas também observaram que os alimentos não eram mastigados de forma intensa. Em vez disso, eram engolidos praticamente inteiros, indicando um sistema digestivo adaptado para fermentação interna.

Como os saurópodes se alimentavam

A descoberta reforça uma teoria antiga da paleontologia: os saurópodes eram exclusivamente herbívoros e precisavam ingerir enormes quantidades de vegetação diariamente.

Como não possuíam dentes apropriados para mastigação eficiente, esses animais dependiam de um processo interno de digestão lenta, semelhante à fermentação, para extrair nutrientes das plantas.

Esse comportamento explicaria a necessidade de alimentação constante e o grande deslocamento desses dinossauros em busca de áreas ricas em vegetação.

Por que essa descoberta é tão rara?

Encontrar conteúdo intestinal fossilizado é extremamente incomum, especialmente em animais de grande porte como os saurópodes. A maioria dos fósseis preserva apenas ossos, tornando esse tipo de evidência quase inexistente.

O caso de “Judy” se destaca por reunir condições excepcionais:

  • Preservação completa do intestino fossilizado
  • Resíduos vegetais claramente identificáveis
  • Proteção mineral natural ao longo do tempo
  • Esqueleto praticamente completo do animal

Esse conjunto transforma o achado em um dos mais importantes já registrados na história da paleontologia.

O ambiente em que o dinossauro viveu

Há cerca de 95 milhões de anos, a região onde o fóssil foi encontrado era muito diferente da atual. Em vez de clima seco e árido, havia um ambiente úmido, repleto de rios, florestas densas e vegetação abundante.

Esse ecossistema sustentava grandes herbívoros, oferecendo uma diversidade de plantas que permitia a sobrevivência de espécies gigantescas.

Pesquisadores também acreditam que “Judy” ainda era jovem e estava em fase de crescimento. Isso pode explicar diferenças alimentares em relação aos adultos da espécie, já que indivíduos maiores alcançavam copas de árvores enquanto os mais jovens se alimentavam de vegetação mais baixa.

Agora, com o conteúdo intestinal preservado, os cientistas têm uma confirmação do que esses gigantes realmente comiam.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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