Além da Terra, planetas como Júpiter, Saturno e Urano compõem a restrita lista de corpos celestes que contam com raios durante tempestades. Contudo, uma pesquisa recente revelou que Marte também pode passar a integrar o grupo.
Conforme publicado na revista científica Nature, cientistas conseguiram identificar atividade elétrica no planeta vermelho graças ao robô explorador Perseverance, da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA).
O equipamento, que foi enviado para o solo marciano para procurar sinais de vida microbiana passada, estudar a habitabilidade do planeta e coletar amostras, conta com diversos microfones acoplados, que por sua vez serviram para detectar o que parecem ser sons de relâmpagos.
No entanto, de acordo com os especialistas, os raios não se assemelham com os vistos na Terra, pois eles surgem principalmente durante tempestades de areia, impulsionados por poderosos redemoinhos.
Vale destacar que a atmosfera de Marte é extremamente rarefeita, portanto a eletricidade não surge de nuvens de chuva. A principal hipótese indica que, na realidade, os relâmpagos do planeta vermelho se formem por conta do efeito triboelétrico, que é o mesmo princípio físico da eletricidade estática.
Atividade elétrica de Marte não foi vista, mas foi ouvida
Em entrevista ao portal CBS News, o principal autor do estudo, Baptiste Chide, do Instituto de Pesquisa em Astrofísica e Planetologia de Toulouse, explicou que as tempestades de Marte apresenta uma atividade elétrica mais fraca, que praticamente não pode ser vista a olho nu.
Portanto, não há nenhum registro visual do ocorrido. Todavia, conforme mencionado anteriormente, foram as gravações de áudio do rover Perseverance que possibilitaram a confirmação do fenômeno. Confira:
Ao longo de dois anos marcianos, o aparelho já registrou cerca de 55 eventos de descarga elétrica no planeta. Com este conhecimento, cientistas agora podem não apenas se aprofundar em estudos sobre as tempestades em si, mas também sobre seus efeitos em Marte.





