A Amazônia Legal enfrentou um aumento expressivo na degradação florestal no primeiro trimestre deste ano, totalizando 33,8 mil km² — um crescimento de 482% em comparação ao período anterior. Esse é o maior índice já registrado pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
A principal causa desse avanço são as queimadas e a extração de madeira, que enfraquecem a vegetação e facilitam o desmatamento. Em fevereiro de 2025, a degradação atingiu um recorde, com 211 km² de floresta afetada, um aumento de 1.407% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Apesar de estarem relacionadas, degradação e desmatamento são fenômenos distintos. A degradação ocorre quando a vegetação sofre danos, mas ainda tem chances de se recuperar, enquanto o desmatamento representa a remoção total da cobertura florestal para atividades como agricultura, mineração e expansão urbana. De acordo com o Imazon, a degradação muitas vezes antecede o desmatamento, pois áreas já fragilizadas tornam-se mais vulneráveis à destruição completa.
Outras perdas da Amazônia
O desmatamento na Amazônia não afeta apenas o meio ambiente, mas também a economia brasileira, impactando a geração de energia em hidrelétricas como Itaipu e Belo Monte. Um estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio e Amazônia 2030 revelou que juntas essas usinas perdem energia suficiente para abastecer 1,5 milhão de pessoas, resultando em um prejuízo superior a R$ 1 bilhão por ano.
Itaipu, no Paraná, sofre uma perda média de 1.380 GWh anuais, o que equivale a R$ 500 milhões em receita, enquanto Belo Monte, dentro do bioma amazônico, perde 2.400 GWh e R$ 638 milhões. Essas perdas estão ligadas à redução da umidade transportada pelos “rios voadores”, fenômeno essencial para manter a vazão dos rios usados na geração hidrelétrica.
A pesquisa também aponta que 17% das áreas essenciais para Itaipu já foram desmatadas, enquanto em Belo Monte esse índice chega a 27%. Se o desmatamento continuar, a capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) de suprir a demanda energética pode ser comprometida, exigindo investimentos em outras fontes para compensar as perdas.